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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Vendi-me...

Vendi-me ao espelho, vendi-me a ti, tentando ser sempre aquilo que desejavas que eu fosse.

Inconscientemente comecei por deixar de comer tudo aquilo que achava que me deixava assim. Depois de ver que não tinha obtido qualquer resultado, passado um mês, achei que o ideal seria comer menos.

Deixei de comer!

A Dona Maria chegava, fazia o almoço, deixava-o na mesa e , quando ia às arrumações dela, eu punha tudo cuidadosamente dentro de um saquinho e deixava-o perto de uns caixotes de lixo próximo do ginásio e das traseiras do Raposinha, onde os cães costumavam estar a comer.

Foi preciso perder trinta quilos e renovar o guarda-roupa seis vezes para que a minha mãe se percebesse que o meu corpo já era pouco mais que um esqueleto.

Só passados oito meses cheguei à conclusão de que não gostarias de mim pelos meus 65 ou 35 kg e que caso assim fosse, então, não gostarias, de facto, de mim.

A minha mãe levou-me ao médico e depois fui encaminhada para o psicólogo. Percebi finalmente quem eu realmente era, descobri que tinha muito mais para dar do que pensava e o meu corpo nada tinha a ver com isso.

Inconscientemente tinha-me vendido ao espelho, tinha-me vendido a ti, a quem me olhava e não me conseguia ver.

Texto de Inês Ferreira, aluna do 12º ano.