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terça-feira, 16 de julho de 2013

O amor

Às vezes acho que amor é uma treta. Uma treta que se inventou porque é suposto que te cases e formes família, para o mundo continuar povoado. E porque pronto, envelhecer sozinho não deve ser agradável e giro.

Eu até acredito no amor. Entre pais e filhos. Entre avós e netos. Entre irmãos. Entre primos. Entre tios e sobrinhos. Entre amigos. É neste tipo de amor em que acredito. Em que tudo se compreende, tudo se perdoa, em que todos os defeitos e falhas se toleram.

No que toca a duas pessoas independentes, do sexo oposto ou não, sem qualquer tipo de relação das acima referidas, outras coisas que nada têm a ver com amor é que fazem a relação acontecer. Chamam-lhes feromonas, química, atração. Eu gosto da palavra paixão para definir isso. Vai haver ocasiões em que nos vamos apaixonar, viver essa paixão e quando ela acaba, cada um vai à sua vida. Outras vezes, a paixão dura e o amor chega. Estas vão ser as relações longas das nossas vidas. Quando o amor e a paixão se unem, agarrem-se a essa raridade com unhas e dentes, porque não é coisa que aconteça em todas as esquinas.

O problema é quando a paixão termina. Claro que toda a gente diz que o amor vem depois da paixão. Para mim o amor, sem mais nada é...pouco! E quando decidimos manter uma relação sem paixão, baseada no tão falado amor, isso para mim tem uma definição: medo de estarmos sozinhos. Uma relação tem que ter paixão. Eu tenho que estar apaixonada pela pessoa pelo menos 80% do tempo da relação. Amor e paixão têm que andar juntos…pelo menos na maioria dos dias. Tenho consciência de que existem dias em que estamos mais ou então menos – ou mesmo nada, um dia ou outro – apaixonados. Mas se essa paixão, química, atração, se esgota completamente, para mim a relação também esgota.

Muita gente acha que isso é natural, que a paixão acaba e fica apenas o amor, que é aquilo que une duas pessoas durante 20, 30, 40 anos, mesmo quando o sexo só existe uma vez por mês (a correr bem!), quando passam um jantar inteiro a conversar sobre coisíssima nenhuma. Quando já não se divertem, quando não riem um com o outro e um do outro também. E é por isso que existem traições. Quando os casais estão acomodados e não apaixonados.
Inventaram que o amor é o que vem a seguir e nós acreditamos. Quando duas pessoas já não estão apaixonadas e continuam juntas, fazem-no por uma razão: não querem ou não podem estar sozinhos. Não sabem estar sozinhos. São ainda mais infelizes sozinhos do que numa relação que já não trás nada de novo a nenhum deles.

A solidão é uma coisa insuportável para pessoas dependentes do outro. E é verdade, a solidão assusta. Mas não assusta estarmos com alguém só porque temos medo de ficarmos sozinhos? Não assusta contentarmo-nos com relações desenxabidas que não acrescentam mais nada à nossa vida a não ser os pés quentes à noite? Compra uma botija! Acredito que isso traga estabilidade e segurança. Mas trás felicidade e satisfação?

Eu acredito no amor. Só não acredito num amor sem paixão à mistura. Só não acredito nele sozinho. Não acredito que a paixão tenha que acabar para dar lugar ao amor.

Por tudo isto é que o grande segredo para sermos felizes é estarmos bem e divertirmo-nos com nós próprios. Não depender de ninguém para sermos felizes. A felicidade, a tranquilidade está dentro de nós e procurar isso através dos outros é o maior erro que se pode cometer. Como diz a canção do Sr. Matogrosso, “Não peça muito a ninguém, ninguém tem muito para dar”. Aprender a ser feliz sozinho é a melhor coisa que se pode aprender.




quarta-feira, 10 de julho de 2013

Opostos

Não acho nada que os opostos se atraem. Ou melhor, até acho! Deve ser óptimo numa relação relâmpago. Daquelas baseadas na atracção, na química, no sexo!
Nunca numa relação para a vida. Para as coisas resultarem, para durar, é preciso haver coisas em comum. Maneiras de estar na vida e numa relação têm que ser parecidas. As prioridades têm que ser similares. O que vai ser de um casal em que um vive para o outro e esse outro acha importante o tempo com amigos e o espaço para si mesmo?
Até nas coisas mais pequenas é necessário haver concordância. Como é que se vai fazer nas férias se um gosta de acampar e o outro prefere ir para um resort? Se um gosta de praia ou de campo e o outro da montanha e da cidade?
E já dizia o Rui Veloso, "...Não se ama alguém que não houve a mesma canção...". Como é que um sábado à noite vai correr se um gosta de Rock e o outro deste novo house abrasileirado (Deus nos livre!!)?
Como é que vai ser numa casa em que ambos são ferrenhos, mas um é do FCP e o outro do SLB?
Claro que uma pessoa timida e outra mais extrovertida podem resultar muito bem. Há coisas que se completam. Não pode haver é muita coisa a divergir! Porque uma coisa é completar, outra é divergir! Completar, divergindo não me parece que vá correr muito bem!
Rui Veloso diz ainda numa outra canção "...Muito mais é o que nos une, Que aquilo que nos separa..." E é assim que tem que ser.

P.S. - Nunca esquecendo que existem sempre, excepções!

Cris



Karma


Sei que há histórias de vida fantásticas, que mais parecem saídas de um filme com final feliz. Milagres existem. Mas existem também muitas tragédias. Existem talvez menos finais felizes do que tristes!
Não vemos mais dramas do que comédias? Será que um milagre anula uma série de tragédias? E não vemos tanta gente má dar-se bem? E gente boa dar-se mal? Será que as energias negativas têm mais poder do que as positivas? Que é preciso mais energia positiva para anular uma calamidade do que energia negativa para anular algo de bom?
Sou quase sempre positiva, tento ver sempre o lado bom de tudo. Quando me acontece algo de menos bom, tento relativizar e pensar que há gente a passar por muito mais do que eu. Tudo isso ajuda. Tento afastar de mim tudo o que é negativo e me faz mal, faço figas, às vezes promessas, e tento sempre procurar todas as minhas energias positivas! Acontece que é cansativo. Ser positiva às vezes é cansativo. E se muitas vezes é o que me basta para ficar bem quando estou mal, às vezes não chega. Não chega torcer. Em tudo na vida é preciso sorte! No amor, no trabalho, nas amizades, na família. Se sem trabalho não se vai a lado nenhum, até porque nada cai do céu, sem sorte também não! Esperar pela sorte, pelo karma, por algo divino ou pelo universo é cansativo! Porque demora e porque pode nunca chegar.
Sempre gostei de acreditar no karma! Mas hoje em dia acredito muito mais que a vida é aleatória.

Porque haveria o karma de castigar o teu namorado(a) que te traiu quando existem crianças a morrer com leucemia num hospital. Que mal fizeram elas e que bem trará isso ao mundo?

A traição dói, não é fácil de ultrapassar. Mas tens opções. Ou decides perdoar e esquecer, ou decides perdoar e não esquecer, ou decides não perdoar e não esquecer! Não esperes por justiça karmica ou divina porque elas podem ter muito mais que fazer!
Porque haveria o colega que te tramou no trabalho ou na escola de ser castigado, quando há gente a morrer à fome?
Porque haveria Deus de atender ao teu pedido de conheceres alguém especial quando houve um golpe de estado no Egipto?
Não deveriam os Deuses preocupar-se com outras coisas? Eu dou-lhes a minha permissão para lançarem o seu karma em pessoas realmente más. Há pessoas a lançar aviões contra torres só para matar, há tarados a violar crianças só para se satisfazerem, há gente a obrigar crianças a trabalhar para ter mais lucro, há gente que inicia uma guerra para ter mais poder! É quando o karma não cai neste tipo de gente (gente??!!) que nos devemos revoltar com o mundo. Ou então, aceitar uma coisa. A vida é aleatória. E a diferença entre fazer o bem e o mal, está apenas e só na nossa consciência.

Cris


segunda-feira, 8 de julho de 2013

Como esquecer-te



O tempo cura tudo e não se morre de amor! Agarrem-se a isso! É claro que não existe nenhuma fórmula para esquecer o que quer que seja. Mas existem distrações e pequenas ajudas. E há coisas radicais a fazer, que vão ajudar.
O primeiro e mais importante passo é querer esquecer! É preciso querer esquecer! Senão, nada feito! Porque pior do que não conseguir esquecer, é não querer esquecer e às vezes isso é inconsciente. Achamos que queremos esquecer, juramos que sim, mas no fundo ainda estamos carregados de esperança. E é essa esperança secreta que mina tudo. Enquanto ela existir, não conseguimos avançar. Continuamos presos à ideia de que um dia tudo se vai resolver. Que o outro vai cair em si, e que vamos ser felizes para sempre. Mas isto é raro acontecer, e essa expectativa pode durar meses, anos até. E é uma perfeita perda de tempo e de sanidade mental!

Quando uma relação acaba, eu não consigo ficar sentada à espera que passe. Há o período de ficar em casa a derramar lágrimas e gastar toneladas de lenços de papel! De ouvir música foleira e lamechas, como a  banda sonora da nossa tragédia grega! Depois deste saudável tempo de luto, há que pôr mãos à obra.
- Ter a certeza que tudo passa, porque por incrível que pareça, passa mesmo!
- Querer esquecer com todas as nossas forças!
- Massajar o nosso próprio ego. Tomar banhos de espuma, nunca desleixar depilações! Não é por estarmos sozinhas que vamos ficar umas macacas! Pintar as unhas, besuntarmo-nos de cremes, ir ao cabeleireiro! Ou seja, nada de nos tornarmos umas marrafonas! Temos que nos sentir bem na nossa pele, sempre!
- As amigas e amigos! Papel fundamental, senão mesmo o mais importante! É por estas e por outras que um dos maiores erros que pudemos cometer é deixar de ter amigos/esquecer os nossos e adotar os da cara metade quando estamos numa relação. Tenham vidas próprias para lá da relação. A probabilidade de uma relação dar para o torto e precisarmos de os amigos para superar isso é muito maior do que sermos felizes para sempre com a suposta alma gémea sem os ditos cujos! (Desconfio sempre de gente que não tem amigos, algo se passa!) Os nossos amigos vão ser aqueles que nos vão levar ao cinema, a jantar fora, à praia e com quem passaremos belas noitadas, até que quando damos conta, estamos prontos para outra.
- Eliminar todo e qualquer vestígio do "falecido". Mensagens fofinhas, fotografias, aquele peluche foleiro que fingíamos gostar (e que agora que acabou até passamos a gostar mesmo, não se deixem iludir, somos nós que andamos meio aparvalhados!), e tudo e tudo que nos faça lembrar do estafermo! Para os mais fortes, lixo com tudo! Para os outros, enterra-se numa gaveta escura - mas não vale abrir volta e meia em horas de desespero ridículo!
- Não nos metermos numa relação para esquecer a anterior. Nada de bom costuma resultar daí. Há coisas que precisam de ser curadas antes de voltarem a estar vulneráveis!

Há coisas completamente proibídas. Ver facebooks, twiters, blogues e coisas do género da pessoa que é suposto estarmos a esquecer de hora a hora, não é de todo aceitável. Acho até que deviam haver umas sentinelas que nos impedissem de fazer tais coisas!
Perseguir, seja de que maneira for a pessoinha é não só completamente reprovável como crime! Stalkers, nunca!
Há uma coisa ridícula que muita gente acha que é o melhor a fazer, que é a tentativa de provocar ciúmes no outro! Se não for sincero, NÃO o façam! Percebe-se quase sempre quando é forçado, o que fica muito mal à pessoa que acha que está a fazer uma grande coisa! NÃO!
O desprezo é a melhor arma e o caminho mais digno! Porque se há uma coisa que tem de ficar intacta depois do final de uma relação, é a nossa dignidade!
Aceitam-se mais sugestões. Nestas horas, qualquer ajuda é boa!
Se a coisa se tornar insuportável, peçam ajuda! Vão a um psicólogo, ou a um psiquiatra se em último caso (e só mesmo em último recurso!) medicação for necessária. Isto do amor, pode deixar qualquer um no fundo do poço! A solução é não escavar ainda mais e tratar de sair dele!


Há amores que são eternos, que mesmo que acabem, nunca são esquecidos. Mas o tempo transforma o sofrimento desses amores em boas recordações. A pessoa vai ser importante para sempre, mas um dia, já não vai doer pensar nela. Garanto!


sexta-feira, 5 de julho de 2013

Cedências

Costuma-se dizer que para uma relação funcionar, tem que haver cedências de parte a parte. Tu cedes aqui, eu ali, e só assim nos daremos bem e seremos felizes para sempre. Sim, pode ser que sim. Cedências, não mudanças.
Lembro-me que na série "Sex and the City", no início do casamento entre a Charlotte e o Harry, ele deixava os sacos de chá por todo o lado, e isso irritava-a. Ela conversou com ele, e ele rapidamente passou a colocar os sacos no lixo. Quando este problema se resolve, outro aparece. O Harry gosta de andar todo nu pela casa. De se sentar como veio ao mundo nos sofás brancos e imaculados da casa de ambos. A Charlotte, mais uma vez fala com o marido, que acede imediatamente a vestir pelo menos uns boxers quando andar por casa. Em contrapartida, a Charlotte tornou-se judia para poder casar com o Harry. Cedências foram feitas e eles são um daqueles casais, mesmo que ficcionais, realmente felizes.
Estas pequenas coisas, são fáceis de contornar. São hábitos que se conseguem mudar perfeitamente pela nossa cara metade. É quando toca a mudanças de personalidade, de feitio, que a coisa se complica.
O mais importante não são as cedências, porque essas, não serão difíceis de fazer. O que é decisivo é se conseguimos conviver e ser felizes com todos os defeitos do outro. Esse é o desafio. Se o conseguimos fazer e se vale a pena fazê-lo.
Há uma música da Nelly Furtado, "Try", com duas frases que sempre me vêm à cabeça nestas questões.
"Then I see you standing there, Wanting more from me, And all I can do, Is try". Será que é justo estarmos constantemente a pedir mais do outro? Ameaçar até acabar com a relação se o outro não mudar? Temos que amar o outro pela pessoa que ele é, e não pelo seu potencial.
"I'm all I ever be". Diz também a música. Ou seja, ou aceitamos a pessoa como ela é, ou libertamo-la para uma outra qualquer pessoa amar os defeitos que nós não conseguimos suportar. Porque, por vezes, o amor não é suficiente.
Cris



quinta-feira, 4 de julho de 2013

Lamechices

É nas canções que encontramos aquelas lamechices pegadas que tantas vezes sentimos, mas não conseguimos traduzir em palavras, e muitas vezes nem queremos admitir tais sentimentos!
Temos aquelas letras que nos lêem a mente quando estamos apaixonados. Não querendo descer do lamechas para o parolo, senão teria que citar a "Hero" do Enrique (e pronto, 'tá citado!), o maior poeta de sempre nisto do amor e afins é o Senhor Bob Dylan. E a "Tomorrow is a Long Time" é a canção perfeita para se dar a ouvir à cara metade. E se ela não derreter com isto, desconfia de que seja uma pessoa! ... "I can't see my reflection on the water, I can't speak the sounds that know no pain, I can't hear the echo of my footsteps, Can't remember the sound of my own name. Yes only if my own true love were waiting, And if I could hear her heart a softly pounding, And only if she were lying by me, And I lie in my bed, once again. There's beauty in the silver singing river, There's beauty in the sunrise in the sky, But none of these and nothing else can match the beauty, That I remember in my true love's eyes."...
Quando a coisa está mesmo a transbordar de lamechice, és capaz de aguentar com a "Always" dos Bon Jovi, embora esteja mais para aquelas alturas de um arrufosito! "And I will love you, baby - Always, And I'll be there forever and a day - Always , I'll be there till the stars don't shine, Till the heavens burst and, The words don't rhyme, And I know when I die, you'll be on my mind, And I'll love you - Always". Se alguém vos cantar isto, das duas uma. Corram pelas vossas vidas! Ou casem-se!
O Bruno Mars é o mais recente mestre dos corações partidos e arrependidos. A nova "When I Was Your Man", que tem dado na rádio de 5 em 5 músicas e por isso é impossível não ficar na cabeça o raio do dia todo, é sobre isso (qual Adele qual quê? já ninguém aguenta "alguém como tu"!). "When our friends talk about you, All it does is just tear me down, Cause my heart breaks a little, When I hear your name" (...) "Too young too dumb to realize, That I should've bought you flowers, And held your hand, Should've gave you all my hours, When I had the chance, Take you to every party, Cause all you wanted to do was dance, Now my baby is dancing, But she's dancing with another man". Pois é Brunito, agora é tarde! Fizesses-te à vidinha enquanto era tempo.
Depois há aquelas que ouvimos em repeat quando estamos com o coração partido. Como se já não bastasse estarmos no buraco, ainda nos pomos a ouvir música deprimente que é só para chorar mais um bocado! Ao menos sentimo-nos acompanhados! Há sempre quem encontre apoio na Mónica Sintra quando o caso chegou à nossa própria cama! Deus nos livre dessa!
Os Mumford and Sons, têm uma música a "Liar", que não está em nenhum dos álbuns para já lançados, mas que se encontra no YouTube, perfeita para finais de relações, principalmente aquelas que já tiveram mais do que um final. "I know that things are broken, I know there's too many words left unsaid, You say you have spoken, like the coward I am, I hang my head, You lay careless, your head on my chest, And don't even look at me looking my best, And all these things I can't describe, you would rather I didn't try, But please, don't cry you liar, Oh please, don't cry you liar, (...), And you lean in for your last kiss, Who in this world can ask me to resist?, Your hands cold as they find my neck, Oh this love I have found, I detest."
Se a coisa estiver na fase da raiva, a Lily Allen tem aquela do "Fuck You, Fuck You Very, Very Much" que nos deixa mais animaditos. Pronto, mandei-te f*der, já me sinto melhor!
O Ben Harper tem uma música perfeita para aquela fase em que já estamos prontos para seguir em frente, mas ainda não totalmente curados, ou não se chamasse "Walk away". "Oh no, here comes that sun again, And means another day without you my friend, And it hurts me to look into the mirror at myself, And it hurts even more to have to be with somebody else, And it's so hard to do and so easy to say, But sometimes, sometimes, You just have to walk away, walk away, With so many people to love in my life, why do I worry about one? But you put the happy in my ness, you put the good times into my fun, And it's so hard to do and so easy to say, But sometimes, sometimes, You just have to walk away, walk away and head for the door. We've tried the goodbye so many days, We walk in the same direction so that we could never stray, They say if you love somebody than you have got to set them free, But I would rather be locked to you than live in this pain and misery, They say time will make all this go away, But it's time that has taken my tomorrows and turned them into yesterdays, And once again that rising sun is droppin' on down, And once again, you my friend, are nowhere to be found. And it's so hard to do and so easy to say. But sometimes, sometimes you just have to walk away, walk away and head for the door."
Pronto, pronto, ninguém chore mais! Porque a seguir a esta fase, vem a da cura total! E que normalmente nada tem a ver com amor e essas paneleirices! Como a "Take me Out" dos Franz Ferdinand ou a "Paradise City" dos Guns n' Roses, que animam qualquer um!
O que é que se quer depois de recuperar de uma desilusão amorosa? Metermo-nos imediatamente noutra, pois claro! Sempre mortos por voltar ao início do ciclo, a lamechice!
E a vida pode não significar nada sem Amor, mas os momentos melhores das nossas vidas, excepcionando um provável dia de casamento e o nascimento de uma penca de filhos e dos filhos destes, vão ser os momentos que passámos a cantar e a dançar músicas muito pouca lamechas dos Zeppelin, dos Queen ou dos Beatles, dos Arcade Fire, dos Nirvana ou dos Black Keys, com amigos! Para alguns, será do David Guetta, mas isso é lá com eles!

Cris






quarta-feira, 3 de julho de 2013

Medo de ser feliz



Acho a expressão "tens medo de ser feliz" uma grande estupidez. Mais uma frase feita que não tem nada de verdadeiro. Ninguém tem medo de ser feliz! O objetivo de toda a gente, acima de tudo, é ser feliz! E é assim que tem que ser!
Quando uma pessoa tem medo de levar em frente uma relação que provavelmente até podia correr muito bem, esse medo não é de ser feliz. É medo de que a relação um dia acabe, e sofrer com isso! As pessoas têm medo é de sofrer. Medo de ficarem demasiado presos àquela pessoa e não conseguir sentir o mesmo por outra nunca mais!
Podem até ter medo de se apaixonar, e então acabar tudo antes que se esteja demasiado envolvido - porque sabem que isso, inevitavelmente, vai acontecer - para conseguir fugir. Mais uma vez, só por se ter medo de vir a sofrer. 
Claro que devíamos pensar no presente, e vivê-lo como se o mundo acabasse amanhã. Não pensar no futuro. Mas ninguém faz isto. Por mais que toda a gente diga que gosta de viver um dia de cada vez, de viver intensamente cada dia, as coisas não são assim! Estamos sempre a pensar no amanhã. Vivemos o presente sempre a pensar no futuro. E ninguém gosta de pensar que não vai estar melhor amanhã do que hoje. Ninguém quer pensar que daqui a 1 mês ou 1 ano vai estar de rastos, infeliz da vida! Por isso é cortar logo o mal pela raiz, para não correr riscos. Mas quem não arrisca... E mais vale arrependermo-nos e sofrermos por aquilo que fizemos! O arrependimento de desistir e não ir em frente é muito maior! 

Toda a gente sofre! E a toda a gente passa! A felicidade pode não durar para sempre, mas o sofrimento muito menos! Porque a partir de um dia, toda a gente é feliz para sempre!! Pelo menos, até ao próximo sempre!

Cris


terça-feira, 2 de julho de 2013

Unavailable

Não é fácil recomeçar. O correcto é passarmos tempo sozinhos, curar as feridas e aprender a ser feliz sozinho. Quando a cura acontece e essa aprendizagem está completa, sentimo-nos tão leves, tão bem, que nos habituamos a esse estado de paz de espírito, sem preocupações na cabeça, sem apertos no coração. Tudo fica limpo, livre, feliz. E vazio.
Habituamo-nos tanto a estar sozinhos, a fazer o que nos apetece, a não dar explicações a ninguém, a não ter obrigacões com alguém, que depois, quando está na hora de começar outra vez, é difícil. É difícil voltar a dar o nosso espaço a outra pessoa. É difícil conhecer alguém que valha a pena, porque agora queremos mais e melhor, e quando esse milagre acontece, é preciso disposição, vontade e coragem também para recomeçar tudo do zero. A intimidade, a confiança, o à-vontade. Voltar a dar o coração a alguém dá trabalho. Porque a paz acaba, recomeça a inquietude, mas voltam as borboletas. E o vazio é preenchido. É este vazio que tem que valer a pena ser preenchido. Com cuidado. Porque quantas desiluções consegue uma pessoa suportar até desistir por completo e começar aceitar menos e pior, ou não aceitar absolutamente nada?
Sempre acreditei que era impossível alguém não ter ninguém no coração. Agora sei que é possível. E sei que às vezes o coração pode estar vazio e ainda assim indisponível.
Cris




segunda-feira, 1 de julho de 2013

Soulmate

Será que a alma gémea existe? A história que nos contaram toda a vida sobre haver um testo para cada panela é verdadeira? E será que aquela pessoa especial é amostra única? Não é possível haver mais do que uma/um "the one" para cada pessoa? E se quem nós achávamos que era o amor da nossa vida nos magoa, deixa de ser essa pessoa? Ou o amor da nossa vida pode ser alguém que nos fez sofrer? Pode ser alguém com quem nunca vamos conseguir ser felizes? Pode o amor da nossa vida não ser para sempre? Ou nem ser sequer correspondido? Isto é tudo uma treta?
O amor da nossa vida é aquela pessoa que nunca nos vai magoar? É aquela pessoa com quem vamos ser felizes para o resto da vida? Ou será isto uma treta ainda maior?
Talvez nada disso exista. O que existe são apenas pessoas que se apaixonam, que tentam conviver e ser felizes. Quando não conseguem, acabam e voltam de novo a tentar. E a nossa vida amorosa talvez se resuma a momentos bons, a momentos maus, e a tentar outra vez. Até encontrarmos alguém especial outra vez, ou até nos cansarmos de procurar e optarmos por estabilizar com alguém que mesmo não sendo o amor da nossa vida, é alguém com quem gostamos de conviver e nos traz segurança. Porque ficar sozinho, isso Deus nos livre, right?
Ou, poderá ser talvez que o "amor da nossa vida" não seja necessariamente o mesmo que o "homem da nossa vida"...
Cris


sábado, 1 de junho de 2013

Carta aberta de um estudante grego

Tirado do “AVENTAR”
22/05/2013

Tradução de José Luiz Ferreira (de Echte Democratie Jetzt)

Aos meus professores… e aos outros:

O meu nome é K. M., sou aluno do último ano num liceu em Drapetsona, Pireu.
Decidi escrever este texto porque quero exprimir a minha fúria, a minha revolta pelo atrevimento e pela hipocrisia daqueles que nos governam e daqueles jornalistas e media mainstream que os ajudam a pôr em prática os seus planos ilegais e imorais em detrimento dos alunos, dos estudantes e de todos jovens.

A minha razão para escrever é a intenção dos meus professores de fazer greve durante o período dos exames de admissão à Universidade e os políticos e jornalistas que choram lágrimas de crocodilo sobre o meu futuro, o qual “estaria em causa” devido à greve.

De que falam vocês? Que espécie de futuro tenho eu devido a vocês? E quem é que verdadeiramente pôs em causa o meu futuro?

Deitemos uma vista de olhos sobre quem, já há muito tempo, constrói o futuro e toda a nossa vida:
- Quem construiu o futuro do meu avô? Quem vestiu o seu futuro com as roupas velhas da administração das Nações Unidas para a ajuda de emergência e reconstrução e o obrigou a emigrar para a Alemanha?
- Quem governou mal e estripou este país?
- Quem obrigou a minha mãe a trabalhar do nascer ao pôr-de-sol por 530 euros por mês? Dinheiro que, uma vez paga a comida e as contas, nem chega para um par de sapatos, para já não falar num livro usado que eu queria comprar numa feira de rua.
- Quem reduziu a metade o ordenado do meu pai?
- Quem o caluniou, quem o ameaçou, quem o obrigou a regressar ao trabalho sob a ameaça da requisição civil, quem o ameaçou de despedimento, juntamente com todos os seus colegas dos serviços de transportes públicos quando eles, que apenas queriam viver com dignidade, entraram em greve?
- Quem procurou encerrar a universidade que o meu irmão frequenta para atingir alguns dos seus sonhos?
- Quem me deu fotocópias em vez de manuais escolares?
- Quem me deixa enregelar na minha sala de aula sem aquecimento?
- Quem carrega com a culpa de os alunos das escolas desmaiarem de fome?
- Quem lançou tanta gente no desemprego?
- Quem conduziu 4.000 pessoas ao suicídio?
- Quem manda de volta para casa os nossos avós sem cuidados médicos e sem medicamentos?

Foram os meus professores que fizeram tudo isto? Ou foram VOCÊS que fizeram tudo isto?

Vocês dizem que os meus professores vão destruir os meus sonhos fazendo greve.
Quem vos disse alguma vez que o meu sonho é ser mais um desempregado entre os 67% de jovens que estão no desemprego?
Quem vos disse que o meu sonho é trabalhar sem segurança social e sem horários regulares por 350 euros por mês, como determinam as vossas mais recentes alterações às leis laborais?
Quem vos disse que o meu sonho é emigrar por razões económicas?
Quem vos disse que o meu sonho é ser moço de recados?

Gostaria de dirigir algumas palavras aos meus professores e aos professores em toda a Grécia:

Professores, vocês NÃO devem recuar um único passo no vosso compromisso para connosco. Se recuarem agora na vossa luta, então sim, estarão verdadeiramente a pôr em causa o meu futuro. Estarão a hipotecá-lo.
Qualquer recuo vosso, qualquer vitória que o governo obtenha, roubará o meu sorriso, os meus sonhos, a minha esperança numa vida melhor e em combater por uma sociedade mais humana.

Aos meus pais, aos meus colegas e à sociedade em geral tenho a dizer o seguinte:

Quereis verdadeiramente que aqueles que nos ensinam vivam na miséria?
Quereis que sejamos moldados nas salas de aulas como mercadorias de produção maciça?
Quereis que eles fechem cada vez mais escolas e construam cada vez mais prisões?
Ides deixar os nossos professores sozinhos nesta luta? É para isso que nos educais, para que recusemos a nossa solidariedade?
Quereis que os nossos professores sejam para nós um exemplo de respeito por nós próprios, de dignidade e de militância cívica? Ou preferis que nos dêem um exemplo de escravidão consentida?
Finalmente, quereis que vivamos como escravos?

De amanhã em diante, todos os alunos e pais deviam ocupar-se de apoiar os professores com uma palavra de ordem: “Avançar e derrotar a tirania fascista!”
Lutemos juntos por uma educação de qualidade, pública e livre. Lutemos juntos para derrubar aqueles que roubam o nosso riso e o riso dos vossos filhos.


PS: Menciono as minhas notas do ano lectivo 2011/12, não por vaidade mas para cortar a palavra àqueles que avançarem com o argumento ridículo de que “só quero escapar às aulas”: Comportamento do aluno: “Muito Bom”. Classificação média: 20 (“Excelente”) [a nota mais alta nos liceus gregos].


terça-feira, 26 de março de 2013

26 DE MARÇO - DIA DO LIVRO PORTUGUÊS


Tendo em mente que a invenção da escrita foi uma das principais conquistas da humanidade, é de lembrar que hoje se celebra O DIA DO LIVRO PORTUGUÊS como forma de recordar o primeiro livro impresso em Portugal.

«Por iniciativa da Sociedade Portuguesa de Autores tem-se vindo a assinalar, a 26 de Março, o Dia do Livro Português, dia em que foi impresso o primeiro livro em Portugal. O Pentateuco em Hebraico foi o primeiro livro impresso em Portugal a 26 de Março de 1487, saindo das oficinas do judeu Samuel Gacon, na Vila-a-Dentro, em Faro.»

 


Curiosidade: só dez anos depois  «em 1497 foi impresso no Porto, o primeiro livro totalmente escrito em Português. Foi impresso e produzido pelo impressor português, Rodrigo Álvares. O livro tinha como nome: Constituições que fez o Senhor Dom Diogo de Sousa, Bispo do Porto.»



Por isso hoje é um excelente dia para nos lembrarmos dos nossos escritores portugueses. Ler em Português será a melhor forma de os homenagearmos pois bons autores é o que não faltam.





domingo, 14 de outubro de 2012

A amizade é um amor sem asas


Rosa olhava o mar. As férias estavam a acabar e ela queria levar na memória aquele mar... calmo, às vezes, um gigantesco turbilhão, quase sempre, mas mágico... muito mágico.

Fechou os olhos para conter uma lágrima que sentia querer sair. Estes momentos de tristeza surgiam quando menos esperava, vindos do nada... ou talvez, do momento em que deixara Raul sozinho, sem uma palavra, sem um último beijo...
"Que bom este cheiro a mar", pensou, e ali ficou... Aos poucos foi deixando de ouvir os gritos das crianças a brincar, as conversas dos veraneantes e o som do bater dos calhaus enrolados nas ondas.

Raul sentou-se na areia junto dela, passou as mãos pelos caracóis do seu cabelo e disse-lhe "está tão comprido... estás linda Rosa... sabes, a amizade é um amor sem asas".

A água do mar gelada a tocar-lhe os pés fez com que abrisse os olhos. Olhou para o lado... estava sozinha. Levantou-se. Precisava de telefonar ao Raul!

Afinal não iria deixar que o amor a fizesse desistir de uma bela amizade.




segunda-feira, 24 de setembro de 2012

E se?

A filha que tenho é a minha que me estava destinada. Estava escrito...e gosto de pensar que é verdade. Mas tudo o resto parece aleatório.

E se uma coisa que eu tivesse dito ou feito fizesse com que tudo se desmoronasse?

E se tivesse escolhido outra vida? Ou outra pessoa? Podíamos nunca nos ter encontrado.

E se eu tivesse sido educada de outra maneira?

E se o meu pai ainda fosse vivo?

E se?

E se?

E se?

A vida é um dom, há que aceitá-la, por muito confusa ou dolorosa que possa parecer.
Algumas coisas vão acontecer como se estivessem destinadas, por mais impossíveis que possam parecer.









Ele não gostava de despedidas




Rosa desceu as escadas a correr, já estava atrasada. Raul já devia  estar à sua espera na esplanada do jardim e ele não gostava de atrasos. Enquanto percorria rapidamente a avenida aconchegou o casaco, um vento frio gelava-lhe o corpo. Não percebia, embora intuísse, a razão do encontro.  Raul ligara-lhe apenas duas horas antes "vai ter comigo à esplanada, preciso de falar contigo".

Lá estava ele, numa mesa, num canto, abrigada do vento. Era lindo e, embora gostasse mais de o ver com roupa casual, o fato que trazia vestido ficava-lhe muito bem. Levantou-se quando ela chegou e deu-lhe um beijo em cada uma das faces. Rosa sentiu um arrepio percorrer-lhe o corpo...

Sentaram-se, ele perguntou-lhe como estava, falou dos filhos, dos netos... Rosa olhava-o, os seus lábios finos, os olhos castanhos e o seu sorriso fascinavam-na. Deixou de o ouvir, recordava os momentos que tinham passado juntos, momentos de descoberta mútua e em que ela descobrira o quanto gostava dele e como ele era importante para ela. Sentiu a mão dele na dela, "Rosa, como te disse preciso de falar contigo, não te zangues nem fiques triste, as coisas mudam como tu sabes". Ela sorriu. "Vou à casa de banho, volto já Raul".

Rosa entrou no café pela porta que ficava junto à mesa onde estavam. Pela janela olhou-o... um último olhar. Limpando uma lágrima que teimava em cair saiu pela outra porta. 

Afinal ele não gostava de despedidas. 

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Um corpo ligeiramente imperfeito

    Acho que fui vítima de uma conspiração: eu estou perfeitamente preparada para combater o acne, lutar com os quilos a mais que os contracetivos nos oferecem e até evitar a queda de cabelo durante a gravidez. É pena que de repente todo esse conhecimento seja inútil...
    Socorro! Onde está o Manual de beleza dos cinquenta? O meu corpo começa a fazer coisas extravagantes (pior, a deixar de fazê-las) e nada me explica como evitá-las.
    Querida Madame M. tenho muitas queixas a fazer-lhe e não vejo o livro de reclamações. Queria saber, por exemplo, porque ninguém me disse que além das famosas (afinal inofensivas) rugas debaixo dos olhos, aos cinquenta teria também os joelhos engelhados. Porque me ocultaram que todas as partes do meu corpo - TODAS - descairiam cerca de meio metro (e nem me fale dos gloriosos noventa anos da Jane Fonda).
    Porque não me avisou que correr desenfreada e alegremente pelo campo ao entardecer perderia o seu encanto para dar lugar a taquicardia e hiperventilação, além de cãimbras nos lugares mais recônditos do corpo?
    Ter-lhe-ia agradecido se me tivesse avisado que fazer amor nas areias escaldantes das Caraíbas, na mesa da cozinha e no elevador do prédio, se tornariam um enorme risco e que, aos cinquenta, um dia de trabalho seria suficiente para transformar uma cara normal (ou quase) num conjunto de olheiras esverdeadas. Também não me informou da famosa lei do abacate (que tantas dores de cabeça me teria poupado!) que se reduz a uma única e sábia permissa:

    "Os homens devem consumir-se de preferência antes de chegarem ao mercado (embora estejam um pouco verdes e bastante rijos) pois as suas maturidade e decadência são simultâneas."

    Enfim, descubro agora que não cumpriu as suas obrigações e pior, suspeito que ainda não tem vinte e cinco anos.






Contos de fadas

    Todos recordamos as histórias da nossa infância... o sapato serve à Cinderela... o sapo transforma-se em príncipe... a Bela Adormecida é acordada com um beijo...
    Era uma vez... e viveram felizes para sempre.
    Contos de fadas. A essência dos sonhos. 
    O problema é que os contos de fadas não se tornam realidade. São os outros contos, que começam em noites sombrias e acabam no indescritível, são os pesadelos que parecem concretizar-se sempre. Quem inventou a expressão "felizes para sempre", devia levar uma valente surra.
    Era uma vez... felizes para sempre.
    Os contos de fadas não se concretizam. A realidade é bem mais conturbada. Mais sombria. Mais assustadora.
    A realidade... muito mais interessante do que "viver feliz para sempre".






terça-feira, 24 de julho de 2012

Ao Paulo, um homem esquisito

Querido Paulo:
    Adorei conhecer-te. A sério. Foi um fim-de-semana ótimo, mas acho que não nos podemos ver mais. Há atitudes tuas que não suporto e, depois de muito pensar, achei que era melhor dizer-te, pois talvez te sirva de alguma coisa. Lembras-te quando parámos na estação de serviço de Leiria? Disse-te que ia à casa de banho. Lembras-te? Insististe em acompanhar-me e achei bastante estranho que fosses para fazer psss, psss e, na tua opinião ajudar-me... Depois, quando fomos dar umas voltas pela cidade quiseste comprar umas cordas, para brincar, disseste. Era estranho, mas podia lá adivinhar. Só me assustei - pois embora não sendo lisboeta, sou moderna - quando, à noite, insististe em vestir a minha camisa de dormir. Paulo, és um bom homem e até um bom partido, mas acho que tens qualquer problema. Porque não vais ao médico ou falar com o Padre Armando? É que para mim, homens de camisa de dormir não me dizem nada. Perdoa-me.
    Sinceramente,

M. C.







sexta-feira, 6 de julho de 2012

Casais

    Quando saí, para ir à farmácia, tropecei num casal de namorados que se beijava desenfreadamente junto ao elevador. A posição à qual ele a obriga é improvável e inverosímil; espetacular. Além disso, ela só deve ter treze anos!, penso, enquanto saio pela porta olhando para trás.
    Encostado a um dos carros estacionados em frente da casa vejo outro par: ela está entre as pernas abertas (as dele) e ele tem as mãos metidas nos bolsos de trás das calças de ganga (as dele nas dela) ... Por acaso, ao lado, estão outros dois, abraçados, intrinsecamente abraçados: ela dá-lhe beijinhos nas orelhas, no pescoço, no queixo, no peito, nos ombros e volta ao princípio. Ele tem a camisa aberta até ao umbigo.
    Os casais enchem as ruas da cidade e todos (quase) vão de mão dada, com o braço na cintura, enroscados, com as línguas emaranhadas, com as pernas trocadas ou transformadas num monstro de quatro patas e duas costas, como descrevia Shakespeare.
    Sinto-me invisível. Por muito que olhe, ninguém se apercebe. Na realidade eles nem fazem ideia que existe mais alguém no mundo. O seu universo acaba nos bolsos de trás das calças de ganga do outro.
    Evidentemente, nenhum deles é casado.
    Nem tão pouco o casal que está a comer crepes na esplanada de um dos cafés da avenida: olham-se profundamente nos olhos; ela acaricia-lhe, com movimentos sugestivos e ritmados, o polegar; segredam um ao outro obscenidades (que mais pode ser se a esta distância lhes vejo a língua?) entre uma garfada de vaca com molho de ostra e outra de porco doce.
    O casal em frente, em compensação, é casado.
    Muito casado.
    Para começar não se falam nem se tocam. Bem, ele toca-lhe de vez em quando no ombro para que ela lhe encha o copo de vinho. Salvo este gesto e algum grunhido abafado pela salada de rebentos de soja que lhe enche a boca, nada.
    É normal, dizem todos os casados. Ambos já passaram da paixão à compreensão, à tolerância e depois (se não se divorciaram) a uma hostilidade muda. O marido da salada de rebentos de soja, por exemplo, nunca saberá que tem um (repugnante) pingo de azeite a escorrer pela barba porque a mulher lhe vai servir o vinho, olhando com curiosidade científica para o percurso que vai desde o canto da boca até determinado lugar do colarinho da camisa, e vai ficar silenciosa como um túmulo. Quer dizer uma casada profissional.
    Os meus amigos Ana e João, casados, exercitam maravilhosa e constantemente essa utilidade muda (a Ana chama-lhe vingança diária): o João esquece-se sempre das chaves do carro no móvel de entrada e ela só se lembra na garagem; a Ana pinta - não se sabe porque feminina razão - os dentes em vez dos lábios e o João deixa-a exibir uma dentadura encarnada a noite toda. O João conta uma anedota ótima e a Ana diz, mentindo, «é incrível como te repetes».
   É perfeitamente normal. Faz parte da natureza do casamento. Só que os casais que se abraçam na rua não o sabem.
    Ainda.