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sábado, 10 de novembro de 2012

Cinema paradiso

Banda sonora do belíssimo filme Cinema Paradiso 



    Esta banda sonora, do grande Ennio Morricone, é um hino ao amor, à vida, à amizade, é um hino ao que de mais puro o ser humano possui.
    Ouvir esta música, ver este filme faz-me tremer, sentir os olhos húmidos, reviver sensações passadas, sentimentos... uns que perduram, outros que o tempo curou, mas cuja ferida apesar de cicatrizada vai ficar para sempre...
    
    A primeira vez que vi este filme, foi com o meu pai. É esse momento que também revivo...obrigada, papá, por me teres proporcionado ver e ouvir toda esta magia ao teu lado.

    Vejam ou revejam o filme, vale a pena.


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Parti a cabeça...

    Teria, na altura, oito anos e vivia em S. Vicente, uma bonita vila situada na costa norte da ilha da Madeira. Havia um muro, nas traseiras da casa, onde eu e os meus irmãos adorávamos andar. A minha mãe ralhava e proibia-nos de para lá subir mas nós não ligávamos, até que...
    Naquele dia sentia-me um bailarina ou uma artista de circo a andar no arame; percorri o muro saltando, rodopiando...para cá, para lá...que bom! Se desse um salto mais alto voaria. E voei mesmo quando, ao sair do muro, o meu pé falhou a botija de gás que nos servia para subir e descer. Caí de costas e bati com a cabeça no chão... Levantei-me, meia atordoada e fui ter com os meus irmãos que estavam a brincar debaixo de um telheiro próximo. Deitei-me na manta que estava estendida no chão.
    "Tanto sangue!" - diz o meu irmão de seis anos.
    "Mila, Mila, a Cristina partiu a cabeça." - gritou a minha irmã, de sete anos, exagerada como sempre e chamando a empregada.
    Deixei-me estar deitada a olhar para a mão, cheia de sangue, com que tinha tocado na cabeça...
    S. Vicente não tinha hospital nem centro de saúde, foi, pois, para a farmácia que a Mila me levou. Os meus irmãos também foram, tentando, entre discussões e pontapés, segurar a toalha que servia para estancar o sangue que escorria da minha cabeça. 
    Quando os meus pais chegaram do Funchal, onde tinham ido fazer compras, eu estava cheia de medo do ralhete. Andava às "arrecuas" para eles não verem a ferida...
    O meu irmão, que já na altura gostava de tudo muito bem esclarecido, contou-lhes da queda com todos os pormenores. 
    "Lá vem palmada" - pensei.
    Mas não, nenhum deles ralhou ou bateu. O meu pai quis ver a ferida e perguntou se doía muito, a minha mãe apenas disse "espero que te tenha servido de lição". 


    Afinal não parti a cabeça, foi apenas uma ferida muito pródiga em sangue, e também não deixei de andar em cima do muro.


Foto antiga da capelinha de S. Vicente





domingo, 4 de novembro de 2012

Numa fração de segundo...

    A internet tem este poder fantástico de, numa fração de segundo, nos levar a tempos longínquos, onde éramos felizes e não sabíamos ou não tínhamos a noção dessa felicidade.

    O primeiro gira-discos que o meu pai comprou, um portátil vermelho, foi no início dos anos setenta. Era presença indispensável nas festas de garagem...sem música e um pezinho de dança não seria festa. Foi ao som de música que ele nos dava que dei o meu primeiro beijo, mas também a primeira chapada (ele merecia eheheh)...

    Foi tudo isto que recordei quando, numa pesquisa na net para encontrar uma música, me apareceu esta



    Já não ouvia Beatles há bastante tempo e confesso que gosto bastante. Uma outra canção que adorava cantar (está descansada Di, eu não canto eheheh) 





    Um momento que, embora com alguma nostalgia e lágrimas à mistura, me fez muito bem.







segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Banda sonora da minha vida

Todos nós relembramos músicas que fizeram parte da nossa vida, que ouvíamos sempre em determinada época. Fazem-nos recordar pessoas e momentos... são a banda sonora da nossa vida.

Esta, ouço-a com a nostalgia de momentos de um passado recente mas, também, com a alegria das recordações felizes que me proporciona.

  






sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O raio

Limpei o vidro embaciado da janela do autocarro. Chovia. A chuva tinha começado pouco depois de termos saído de Coimbra, uns chuviscos que depressa se transformaram em fortes bátegas de água.

O autocarro avançava devagar...as duas horas e pouco de viagem iriam transformar-se em três, quando chegasse a Seia já passaria da meia-noite e não tinha guarda-chuva.

Um clarão enorme, seguido do ribombar de um trovão fez calar as conversas dos passageiros, o medo estava estampado na cara de alguns deles. O motorista conduzia devagar, mas com a segurança de quem conhece bem a estrada.

Era uma da manhã quando finalmente chegámos. Até casa seriam dez minutos, iria apanhar uma molha mas, não podia ficar ali, na beira da estrada.

Apertei o casaco e fui andando. A chuva batia-me na cara. Quando cheguei à minha rua já ia completamente encharcada. Parei um pouco debaixo de uma árvore, já faltava pouco, mais cem metros e estaria livre da chuva e da trovoada.

Abri a porta de casa...a salvo finalmente! Tirei a roupa molhada e pus a banheira a encher...precisava de um banho quente. Um clarão muito intenso e um forte trovão fez-me correr para a janela. A árvore, onde minutos antes tinha parado um pouco, tinha sido atingida por um raio.

Foi a tremer que me enfiei na banheira.




quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Amigos de infância


    Amigos de infância. Amigos que todos nós tivemos, dirão vocês. Aqueles que andavam connosco de bicicleta, com quem jogávamos à apanhada, à macaca, às escondidas e com quem íamos ao pomar comer fruta, encarrapitados nas árvores, até nos doer a barriga. Com quem nos zangávamos por tudo e por nada e com quem fazíamos rapidamente as pazes. Que se alegraram connosco quando nos apaixonámos e que nos enxugaram as lágrimas ao primeiro desgosto de amor. 

    Os meus amigos de infância são os meus irmãos e as minhas primas. 

    A minha infância e adolescência foi um pouco nómada, percorri, com a minha família Portugal quase de lés a lés. Nasci em Coimbra mas, com apenas alguns dias fui para Paços da Serra com os meus pais, seguiu-se Gouveia, Angra do Heroísmo, Aveiro, S. Vicente, Rio Maior e Funchal. No ano que completei dezassete anos regressámos definitivamente a Coimbra, donde, por razões profissionais, voltei a sair aos trinta e seis anos.

   Infância e adolescência felizes, sem dúvida, materialmente tinha mais do que a maioria dos miúdos na altura, tinha os meus irmãos, as minhas primas nas férias mas, sentia a falta de amigos. Amigos verdadeiros para a vida inteira. A minha timidez natural sempre fez com que demorasse algum tempo a fazer amigos e quando isso acontecia tinha de mudar de terra. 

   Será isso que me faz, agora, acarinhar tanto os amigos que tenho a ponto de às vezes parecer que os sufoco? Será isso que me faz ter um medo, quase fóbico, de perder os amigos e as pessoas de quem gosto? Não sei...

    Ser amigo, assim como amar...também é complicado!





domingo, 5 de fevereiro de 2012

Monte Real

   
                                              


  Monte Real fez, faz e fará sempre parte da minha vida. Lá fui batizada, passei férias em casa dos meus avós maternos...foi também lá que assisti à passagem do papa Paulo VI, quando da sua visita ao nosso pais, a caminho da base aérea. Lá brinquei com os meus irmãos e primos...lá fui muito feliz. E ainda sou, pois continuo a ir lá sempre que posso, fins de semana, Natal, Páscoa, Festa de S. João, em junho e Festa da Rainha Santa em julho. 
    Lembro-me de ir com a empregada do meu avô à fonte buscar água, nunca consegui equilibrar o cântaro na cabeça...era melhor ir na anca pois se o partisse lá vinha raspanete. Íamos também ao Rio Liz apanhar agriões. 
     Os torresmos que a minha avó fazia depois da matança do porco eram um pitéu e até os ovos mexidos com toucinho, que a minha avó fazia para as mulheres que trabalhavam no campo, eu achava que deviam ser uma delicia...nunca cheguei a provar, a minha avó nunca deixou. 
     Lembro-me da loja do meu avô, onde se vendia um pouco de tudo. Hoje já não existe, foi dividida em apartamentos e mais tarde em lojas mais pequenas.
     Foi aqui que aprendi a fazer "Arroz Doce", "Arroz de Grelos", "Doce de Abóbora com Nozes" e "Migas". As morcelas de arroz do Talho Jaulino são de "comer e chorar por mais".

    Uma terra onde aparentemente não se passa nada, mas cuja igreja tem "karaoke" para os fiéis puderem cantar também, muito boa para descansar.


Origem e história

   "Monte Real é uma freguesia portuguesa do distrito de Leiria 12,23 quilómetros quadrados de área e 2 778 habitantes (2001). 
    Foi sede de concelho entre 1292 e o início do século XIX. A freguesia conta ainda com as seguintes localidades anexas: Serra de Porto de Urso, Granja, Brejo e Segodim.




  Mergulha na noite dos tempos a origem de Monte Real. Apesar da sua referência como povoação só aparecer em outubro de 1292, altura em que foi fundada por D. Dinis, existem vestígios a comprovar a passagem e permanência de povos em épocas mais remotas, romana e até neolítica.
    Fundada no Reguengo do Ulmar veio a chamar-se Póbra de Mô Real e Vila da Póvoa de Mon Real. Dos tempos em que tinha este último nome a sua importância era grande, ainda restam, na parte mais alta da povoação, vestígios do antigo Paço Real, reduzido a uma construção restaurada, onde D. Dinis e a Rainha Santa Isabel terão habitado. D. Dinis ordenou que se fizessem "abertas" no Paúl de Ulmar, a fim de que recebessem terras para lavrar durante dez anos os que estivessem dispostos ao seu cultivo, mediante o pagamento à coroa de "todo o fruto que Deos hi der".

    Distinguem-se em Monte Real duas partes: a antiga, localizada numa colina dolomítica, que deve o seu nome (Real) à permanência do Rei D. Dinis e sua esposa Rainha Santa Isabel nesta terra; e a moderna, localizada na zona mais baixa deve o seu desenvolvimento ao estabelecimento termal.

    Monte Real é hoje uma Vila de característica urbanas com alguns espaços de cariz rural, onde se pratica uma policultura tradicional de subsistência a par de uma monocultura moderna com base no cultivo do milho que se desenvolvem também pelos restantes lugares que formam a Freguesia (Serra de Porto de Urso, onde se encontra instalada a Base Aérea n.º 5, Granja, Brejo e Segodim.

    A estância termal remonta à ocupação romana em Portugal. É tradicional atribuir à Rainha Santa a cura dos doentes, mas só em 1809 o Bispo de Leiria D. Manuel Aguiar mandou captar o manancial hidrológico e construir um balneário. Possui as águas mais sulfatadas cálcicas da Península.[...]São águas muito puras, isentas de qualquer contaminação.
    As características hidrológicas desta estância termal, aliada à vasta mancha florestal que a rodeia e à qualidade hoteleira, com uma gastronomia saudável, tornaram-na uma das mais procuradas da Península Ibérica. "  in Memória Portuguesa...parámos o tempo, não sabemos morrer...



Pelourinho e casa da Câmara


Paços da Rainha Santa








                                             Capela de S. João Batista
Fonte da Rainha Santa

 Fonte do centro da vila

Painel de azulejo com o "Milagre das Rosas"
Termas de Monte Real







Base aérea n.º 5




                                                    Igreja Matriz

Igreja onde fui batizada

Jardim
Jardim onde brincava à "macaca" com a minha irmã



Parque infantil onde brinquei, os equipamentos eram outros, claro


Junta de freguesia
Turismo com Hotel das Termas ao fundo

Testemunhos e memórias da minha presença

O meu batizado, com os meus pais e padrinhos

Eu e os meus irmãos no passeio em frente à loja do meu avô
A minha irmã e eu em frente da Capela de S. João Baptista



E agora...  




quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Salinas de Rio Maior


   Como podem existir salinas a 30 km do mar? 
  Elas ficam na base da Serra dos Candeeiros que é essencialmente formada por material rochoso calcário, logo, de fácil impermeabilização por parte da água das chuvas. Por isso, muitos rios em vez de correrem à superfície terrestre acabam por se infiltrarem e correr a nível subterrâneo. Uma destas correntes de água, ao atravessar uma jazida de sal-gema, faz com que a água fique extremamente salgada. Reza a história que há muitos milhões de anos existia mar nesta zona, daí a existência desta jazida de sal-gema.

    O poço atual foi aberto, segundo a tradição, devido ao acaso. Uma rapariga que apascentava uns animais, para mitigar a sede, tentou beber água de uma poça de água que aflorava  de um juncal. O sabor fortemente salgado, foi-lhe extremamente desagradável e comentou isso mesmo, quando chegou a casa. Seu pai e vizinhos apressaram-se a ir cavar nesse local de onde surgiu o poço de água muito salgada (oito vezes mais salgada que a do mar).

    As salinas são, atualmente, abastecidas eletricamente através da puxada das águas subterrâneas para um poço que exixte no meio delas. Ainda se notam vestígios do processo manual que era utilizado há alguns anos atrás, e cujos restos se podem observar em dois grandes paus inclinados junto ao tal poço.



    Depois da água ser sugada através dessa moto-bomba, ela é distribuída através de canais por todos os oito tanques ali existentes (cada tanque é subdividido em outros de menores dimensões). De seguida vem o processo que dá origem à evaporação da água. Ao fim de seis dias a água desapareceu e ficaram os cristais de sal. São retirados manualmente, sendo utilizadas pás de ferro para os raspar do fundo dos tanques e são colocados nas chamadas eiras, estrados de madeira que se podem ver ao longo dos tanques.


    Passadas sessenta horas ele é retirado em sacos ou em carrinhos de ferro e tem como destino o armazenamento na cooperativa. A partir deste local é distribuído pelo mercado.





    Ao longo da rua que dá acesso às salinas podemos ver pequenas casas de madeira que foram adaptadas a casas de comércio e petiscos. Antigamente era nelas que o sal era guardado. 

    A escolha da madeira foi feita devido ao facto de ela não ser corrosível com o sal. Podemos ver troncos de oliveira em todas elas, que funcionam como suportes laterais da sua estrutura. 


  



quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Onde estou eu?

    Voltando ao fundo do baú....Dezembro de 1965, Pré-Primária, Aveiro.
    Onde estou eu?






    Sou a menina de franjinha e cabelo comprido que, na segunda foto, está a escrever no quadro. Muito aplicada como se pode ver :)



terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Antes de nascer

    Do fundo do baú...1960...algures na Serra da Estrela.


Da esquerda para a direita, os meus avós paternos, José e Amélia, a minha mãe e "eu", o meu pai, os meus avós maternos, Júlia e António e de cócoras o meu tio Lino, irmão da minha mãe.


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Tempo Que Não Passa


   De Coimbra fica o rio e uma saudade
   Cavaleiros andantes e Dulcineias
   De Coimbra fica a breve eternidade
   Do Mondego a correr em nossas veias

   De Coimbra fica o sonho e fica a graça
   Antero de revolta capa à solta
   De Coimbra fica o tempo que não passa
   Neste passar de tempo que não volta

    (Manuel Alegre)




quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Tous les garçons et les filles

Esta música, cantada por Françoise Hardy é do início dos anos sessenta, do século passado.
Marcou a minha passagem de criança a adolescente. Quando ainda acreditava que havia um príncipe encantado, que eu desencantaria e ... viveríamos felizes para sempre. 
Afinal, contaram-me mal a história, na vida real os "príncipes" viram sapos e não há maneira de quebrar o encantamento...


terça-feira, 15 de novembro de 2011

Le Téléphone Pleure - Claude François

Há séculos que não ouvia isto!
Canção de 1974, quando ainda se ouvia música francesa.
Tinha 13 ou 14 anos e esta canção deixava-me sempre com uma lágrima ao canto do olho...
Continuo assim...o canal lacrimal bem perto do coração e uma romântica incurável. 
Não há maneira de criar juízo. Mas como vou eu criar juízo se não sei o que ele come? ;)
Espero que gostem.

domingo, 13 de novembro de 2011

Papá

Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirá-la dos nossos sonhos e abraçá-la.   (Clarice Lispector)


     by Carlo



sábado, 12 de novembro de 2011

Right under your nose

Lembram-se daquele detetive, imaginado por Agatha Christie, de cabeça ovoíde, bigodinho, andar peculiar, com a mania das simetrias e que não é francês mas sim belga? 
Sim...Hércule Poirot. 
Tanto em livro como em filme esta personagem encanta-me. Juntamente com Miss Marple é um dos meus preferidos nos romances de Agatha Christie.
Deixo-vos aqui um filme onde David Suchet interpreta, maravilhosamente...Poirot. 

Peço desculpa por não estar legendado, o que impossibilita a compreensão a quem não sabe inglês. A imagem e o som nem sempre estão bem sincronizados...mas, vale a pena ver.