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sexta-feira, 8 de março de 2013

A uma grande mulher

     Hoje, Dia Internacional da Mulher dedico este artigo a uma grande mulher, a minha avó paterna. A avó Mélia ou avó Mimi foi para mim um grande exemplo. Era pequenina e muito alegre, tinha sempre um sorriso nos lábios e uma piada pronta a sair à primeira oportunidade. 

    Gostava de ter todos netos junto dela e...éramos seis. Dava-nos pão com manteiga e mel e café de mistura feito numa cafeteira enorme. Levava-nos com ela quando ia buscar leite...e ali ficávamos a ver ordenhar as vacas. Andava sempre a por-nos ganchos no cabelo pois segundo ela, o cabelo nos olhos podia provocar estrabismo. Só ouvia o que lhe interessava...um tipo de surdez que também adotei...

    É com saudade que a recordo. Avó foste muito importante para mim e continuas a ser uma referência na minha vida.

Dizem que sou parecida com ela...


                         


NUNCA ENVELHECERÁS

A tua cabeleira 
é já grisalha ou mesmo branca? 

Para mim é toda loira 
e circundada de estrelas. 
Sobre ela 
o tempo não poisou 
o inverno dos anos 
que se escoam maldosos 
insinuando rugas, fios brancos... 

Ao teu corpo colou-se 
o vestido de seda, 
como segunda pele; 
entre os seios pequenos 
viceja perene 
um raminho de cravos... 

Pétalas esguias 
emolduram-te os dedos... 
E revoadas de aves 
traçam ao teu redor 
volutas de primavera. 

Nunca envelhecerás na minha lembrança!... 


Saúl Dias

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Meu querido Pai Natal

    Aproxima-se o Natal e, em mim, agudiza-se a saudade de todos os que nunca mais passarão o Natal comigo... a quem eu diria "Feliz Natal" e daria um beijo terno.  Lembro-me em especial do meu pai....

    Todos nós sentimos por vezes esta saudade, este aperto no peito, esta lágrima que teima em cair... e quem disser que não é porque mente!

    A canção "Meu querido Pai Natal", de Luís Represas e João Gil, trouxe-me saudades e  boas recordações. 

    Aqui a deixo, esperando que ela também vos faça viajar no tempo e que recordem momentos bons da vossa infância...com um sorriso, pois recordar vale a pena!




quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Mudança

   O desassossego, provocado muitas vezes por insatisfação comigo própria, sempre me fez procurar a mudança. Há alguns anos mudei de visual...virei loura e mudei radicalmente a minha forma de vestir, de quase freira passei a, como alguém disse, "estás de fazer parar o trânsito". Passei a sorrir mais e a preocupar-me menos. Mudei de casa. Mudei em relação aos amigos, quero relações em que haja respeito e não me provoquem mágoas...amigos que me aceitem como eu sou e que sejam comigo eles mesmos...sem fingimentos. 
    Há também aquele pequenino desassossego, que me fazia ir às compras, à cabeleireira, à esteticista... tudo isto agora é praticamente impossível, o dinheiro está curto. Mas, também, da cabeleireira não preciso, o meu novo cabelo encaracolado e quase preto (mais uma mudança, não intencional mas de que estou a gostar) arranja-se naturalmente e como ando a deixá-lo crescer...
    Hoje senti esse pequeno desassossego...Que fazer?
    Mudei a disposição dos móveis do escritório!
   Arrastar os móveis para os seus novos sítios foi uma canseira, mas valeu as dores nas costas que me provocou. Está com um ambiente muito mais aconchegante, nem parece um escritório...fiquei com duas salas...
    Adeus pequeno desassossego...estou cansada mas feliz!








sábado, 10 de novembro de 2012

Cinema paradiso

Banda sonora do belíssimo filme Cinema Paradiso 



    Esta banda sonora, do grande Ennio Morricone, é um hino ao amor, à vida, à amizade, é um hino ao que de mais puro o ser humano possui.
    Ouvir esta música, ver este filme faz-me tremer, sentir os olhos húmidos, reviver sensações passadas, sentimentos... uns que perduram, outros que o tempo curou, mas cuja ferida apesar de cicatrizada vai ficar para sempre...
    
    A primeira vez que vi este filme, foi com o meu pai. É esse momento que também revivo...obrigada, papá, por me teres proporcionado ver e ouvir toda esta magia ao teu lado.

    Vejam ou revejam o filme, vale a pena.


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Parti a cabeça...

    Teria, na altura, oito anos e vivia em S. Vicente, uma bonita vila situada na costa norte da ilha da Madeira. Havia um muro, nas traseiras da casa, onde eu e os meus irmãos adorávamos andar. A minha mãe ralhava e proibia-nos de para lá subir mas nós não ligávamos, até que...
    Naquele dia sentia-me um bailarina ou uma artista de circo a andar no arame; percorri o muro saltando, rodopiando...para cá, para lá...que bom! Se desse um salto mais alto voaria. E voei mesmo quando, ao sair do muro, o meu pé falhou a botija de gás que nos servia para subir e descer. Caí de costas e bati com a cabeça no chão... Levantei-me, meia atordoada e fui ter com os meus irmãos que estavam a brincar debaixo de um telheiro próximo. Deitei-me na manta que estava estendida no chão.
    "Tanto sangue!" - diz o meu irmão de seis anos.
    "Mila, Mila, a Cristina partiu a cabeça." - gritou a minha irmã, de sete anos, exagerada como sempre e chamando a empregada.
    Deixei-me estar deitada a olhar para a mão, cheia de sangue, com que tinha tocado na cabeça...
    S. Vicente não tinha hospital nem centro de saúde, foi, pois, para a farmácia que a Mila me levou. Os meus irmãos também foram, tentando, entre discussões e pontapés, segurar a toalha que servia para estancar o sangue que escorria da minha cabeça. 
    Quando os meus pais chegaram do Funchal, onde tinham ido fazer compras, eu estava cheia de medo do ralhete. Andava às "arrecuas" para eles não verem a ferida...
    O meu irmão, que já na altura gostava de tudo muito bem esclarecido, contou-lhes da queda com todos os pormenores. 
    "Lá vem palmada" - pensei.
    Mas não, nenhum deles ralhou ou bateu. O meu pai quis ver a ferida e perguntou se doía muito, a minha mãe apenas disse "espero que te tenha servido de lição". 


    Afinal não parti a cabeça, foi apenas uma ferida muito pródiga em sangue, e também não deixei de andar em cima do muro.


Foto antiga da capelinha de S. Vicente





segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Dedicatória

    Nós devemos acarinhar aqueles que nos querem bem e tentar transformar lágrimas em sorrisos...só é pena que tanta gente se esqueça disso...

    A todos os meus amigos, que já me enxugaram lágrimas e riram comigo, que me deixam fazer parte da vida deles e fazê-los sorrir, dedico esta canção.








sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O raio

Limpei o vidro embaciado da janela do autocarro. Chovia. A chuva tinha começado pouco depois de termos saído de Coimbra, uns chuviscos que depressa se transformaram em fortes bátegas de água.

O autocarro avançava devagar...as duas horas e pouco de viagem iriam transformar-se em três, quando chegasse a Seia já passaria da meia-noite e não tinha guarda-chuva.

Um clarão enorme, seguido do ribombar de um trovão fez calar as conversas dos passageiros, o medo estava estampado na cara de alguns deles. O motorista conduzia devagar, mas com a segurança de quem conhece bem a estrada.

Era uma da manhã quando finalmente chegámos. Até casa seriam dez minutos, iria apanhar uma molha mas, não podia ficar ali, na beira da estrada.

Apertei o casaco e fui andando. A chuva batia-me na cara. Quando cheguei à minha rua já ia completamente encharcada. Parei um pouco debaixo de uma árvore, já faltava pouco, mais cem metros e estaria livre da chuva e da trovoada.

Abri a porta de casa...a salvo finalmente! Tirei a roupa molhada e pus a banheira a encher...precisava de um banho quente. Um clarão muito intenso e um forte trovão fez-me correr para a janela. A árvore, onde minutos antes tinha parado um pouco, tinha sido atingida por um raio.

Foi a tremer que me enfiei na banheira.




quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Amigos de infância


    Amigos de infância. Amigos que todos nós tivemos, dirão vocês. Aqueles que andavam connosco de bicicleta, com quem jogávamos à apanhada, à macaca, às escondidas e com quem íamos ao pomar comer fruta, encarrapitados nas árvores, até nos doer a barriga. Com quem nos zangávamos por tudo e por nada e com quem fazíamos rapidamente as pazes. Que se alegraram connosco quando nos apaixonámos e que nos enxugaram as lágrimas ao primeiro desgosto de amor. 

    Os meus amigos de infância são os meus irmãos e as minhas primas. 

    A minha infância e adolescência foi um pouco nómada, percorri, com a minha família Portugal quase de lés a lés. Nasci em Coimbra mas, com apenas alguns dias fui para Paços da Serra com os meus pais, seguiu-se Gouveia, Angra do Heroísmo, Aveiro, S. Vicente, Rio Maior e Funchal. No ano que completei dezassete anos regressámos definitivamente a Coimbra, donde, por razões profissionais, voltei a sair aos trinta e seis anos.

   Infância e adolescência felizes, sem dúvida, materialmente tinha mais do que a maioria dos miúdos na altura, tinha os meus irmãos, as minhas primas nas férias mas, sentia a falta de amigos. Amigos verdadeiros para a vida inteira. A minha timidez natural sempre fez com que demorasse algum tempo a fazer amigos e quando isso acontecia tinha de mudar de terra. 

   Será isso que me faz, agora, acarinhar tanto os amigos que tenho a ponto de às vezes parecer que os sufoco? Será isso que me faz ter um medo, quase fóbico, de perder os amigos e as pessoas de quem gosto? Não sei...

    Ser amigo, assim como amar...também é complicado!





Miguel Torga

   



    Miguel Torga é pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha, escritor e médico, nascido em 1905 e falecido em 1995.

    Estabeleceu-se em Coimbra, a minha cidade natal, no Largo da Portagem. Cheguei a pensar, muitas vezes, marcar uma consulta, para conhecer aquele escritor que tanto admirava... nunca aconteceu. Talvez me tivesse impedido uma timidez natural.

    Enquanto esperava pelo autocarro que me levaria à Cruz de Celas, na Alta de Coimbra, costumava vê-lo. Sempre discreto, metido consigo mesmo como se estivesse longe da realidade que o circundava. Contudo, a sua vasta obra traduz a rebeldia e inconformismo perante as injustiças, as desigualdades sociais e os abusos de poder, o que prova a sua constante reflexão sobre o mundo, o Homem.

    O poema seguinte, escrito em Coimbra a 18 de abril de 1961, é disso exemplo e continua muito atual.


    Comunicado

    Na frente ocidental nada de novo.
    O povo
    Continua a resistir
    Sem ninguém que lhe valha,
    Geme e trabalha
    Até cair.


(Artigo escrito por mim para o Boletim Mensal do Centro de Recursos e Biblioteca da Escola Secundária Dr. Augusto César da Silva Ferreira).








quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Frase infeliz ou ....

O meu acordar é sempre doloroso e, normalmente, é frente à televisão, bebendo um café e fumando um cigarro, que vou acordando.
Hoje era notícia a criação de um novo site sobre métodos contracetivos. Foi feita uma reportagem de rua sobre o assunto. Um jovem do sexo masculino, com idade entre os vinte e os vinte e cinco, quando lhe perguntaram se achava bem, respondeu " Sim, é importante, as raparigas têm mais hipótese de engravidar, por isso é preciso que estejam informadas...".

Mais? Em relação a quem? Aos rapazes? eheheheh Será que imagens como está deixaram de ser ficção?

                             

Meu caro jovem, se algum dia ler isto, a contraceção também lhe diz respeito!!!!!




sábado, 13 de outubro de 2012

Leonard Cohen, o concerto

   Dia 7 de outubro o Centro Comercial Vasco da Gama fervilhava de gente. Pelas 21 horas iria realizar-se o concerto de Leonard Cohen, ali a dois passos, no Pavilhão Atlântico. 

    O espetáculo começou quinze minutos depois da hora marcada. 
    "Dance me to the end of  love" foi a primeira música e a sala rompeu em aplausos quando a voz inigualável de Leonard Cohen se fez ouvir. Foi emocionante, lindo e também  porque não dizê-lo ... mágico.
   Emocionei-me quando o ouvi cantar "Dance me to the end of love", "I'm your man", "Suzanne", "Take this waltz" e "Halelluia" e não consegui conter umas lagrimazitas.
    
    Já passava da meia-noite quando terminou ... foram mais de três horas de pura magia.


Algumas fotos








E o vídeo possível


domingo, 5 de fevereiro de 2012

Monte Real

   
                                              


  Monte Real fez, faz e fará sempre parte da minha vida. Lá fui batizada, passei férias em casa dos meus avós maternos...foi também lá que assisti à passagem do papa Paulo VI, quando da sua visita ao nosso pais, a caminho da base aérea. Lá brinquei com os meus irmãos e primos...lá fui muito feliz. E ainda sou, pois continuo a ir lá sempre que posso, fins de semana, Natal, Páscoa, Festa de S. João, em junho e Festa da Rainha Santa em julho. 
    Lembro-me de ir com a empregada do meu avô à fonte buscar água, nunca consegui equilibrar o cântaro na cabeça...era melhor ir na anca pois se o partisse lá vinha raspanete. Íamos também ao Rio Liz apanhar agriões. 
     Os torresmos que a minha avó fazia depois da matança do porco eram um pitéu e até os ovos mexidos com toucinho, que a minha avó fazia para as mulheres que trabalhavam no campo, eu achava que deviam ser uma delicia...nunca cheguei a provar, a minha avó nunca deixou. 
     Lembro-me da loja do meu avô, onde se vendia um pouco de tudo. Hoje já não existe, foi dividida em apartamentos e mais tarde em lojas mais pequenas.
     Foi aqui que aprendi a fazer "Arroz Doce", "Arroz de Grelos", "Doce de Abóbora com Nozes" e "Migas". As morcelas de arroz do Talho Jaulino são de "comer e chorar por mais".

    Uma terra onde aparentemente não se passa nada, mas cuja igreja tem "karaoke" para os fiéis puderem cantar também, muito boa para descansar.


Origem e história

   "Monte Real é uma freguesia portuguesa do distrito de Leiria 12,23 quilómetros quadrados de área e 2 778 habitantes (2001). 
    Foi sede de concelho entre 1292 e o início do século XIX. A freguesia conta ainda com as seguintes localidades anexas: Serra de Porto de Urso, Granja, Brejo e Segodim.




  Mergulha na noite dos tempos a origem de Monte Real. Apesar da sua referência como povoação só aparecer em outubro de 1292, altura em que foi fundada por D. Dinis, existem vestígios a comprovar a passagem e permanência de povos em épocas mais remotas, romana e até neolítica.
    Fundada no Reguengo do Ulmar veio a chamar-se Póbra de Mô Real e Vila da Póvoa de Mon Real. Dos tempos em que tinha este último nome a sua importância era grande, ainda restam, na parte mais alta da povoação, vestígios do antigo Paço Real, reduzido a uma construção restaurada, onde D. Dinis e a Rainha Santa Isabel terão habitado. D. Dinis ordenou que se fizessem "abertas" no Paúl de Ulmar, a fim de que recebessem terras para lavrar durante dez anos os que estivessem dispostos ao seu cultivo, mediante o pagamento à coroa de "todo o fruto que Deos hi der".

    Distinguem-se em Monte Real duas partes: a antiga, localizada numa colina dolomítica, que deve o seu nome (Real) à permanência do Rei D. Dinis e sua esposa Rainha Santa Isabel nesta terra; e a moderna, localizada na zona mais baixa deve o seu desenvolvimento ao estabelecimento termal.

    Monte Real é hoje uma Vila de característica urbanas com alguns espaços de cariz rural, onde se pratica uma policultura tradicional de subsistência a par de uma monocultura moderna com base no cultivo do milho que se desenvolvem também pelos restantes lugares que formam a Freguesia (Serra de Porto de Urso, onde se encontra instalada a Base Aérea n.º 5, Granja, Brejo e Segodim.

    A estância termal remonta à ocupação romana em Portugal. É tradicional atribuir à Rainha Santa a cura dos doentes, mas só em 1809 o Bispo de Leiria D. Manuel Aguiar mandou captar o manancial hidrológico e construir um balneário. Possui as águas mais sulfatadas cálcicas da Península.[...]São águas muito puras, isentas de qualquer contaminação.
    As características hidrológicas desta estância termal, aliada à vasta mancha florestal que a rodeia e à qualidade hoteleira, com uma gastronomia saudável, tornaram-na uma das mais procuradas da Península Ibérica. "  in Memória Portuguesa...parámos o tempo, não sabemos morrer...



Pelourinho e casa da Câmara


Paços da Rainha Santa








                                             Capela de S. João Batista
Fonte da Rainha Santa

 Fonte do centro da vila

Painel de azulejo com o "Milagre das Rosas"
Termas de Monte Real







Base aérea n.º 5




                                                    Igreja Matriz

Igreja onde fui batizada

Jardim
Jardim onde brincava à "macaca" com a minha irmã



Parque infantil onde brinquei, os equipamentos eram outros, claro


Junta de freguesia
Turismo com Hotel das Termas ao fundo

Testemunhos e memórias da minha presença

O meu batizado, com os meus pais e padrinhos

Eu e os meus irmãos no passeio em frente à loja do meu avô
A minha irmã e eu em frente da Capela de S. João Baptista



E agora...