Digo o teu nome, entre todos os silêncios, entre todos os dias, entre todas as horas. Chamo por ti, soletrando todas as letras, bebidas de um luar em frutos e flores. A minha voz solta-se como uma ave sem rumo, como um barco sem porto, abraçando o horizonte entre os ecos do vazio. E espero… espero que o tempo te traga e sejamos um só.
Hoje não!
Amanhã eu fico triste...
Amanhã! Hoje não.
Hoje eu fico alegre.
E todos os dias por mais amargos que sejam eu digo:
- Amanhã eu fico triste.
Hoje não!
(Poema encontrado num dos dormitórios de crianças judias do campo de extermínio nazi de Auschwitz)
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segunda-feira, 30 de setembro de 2013
sábado, 28 de setembro de 2013
Sonho
Nas noites em que mais
pensava em ti
não conseguia dormir.
Agora que pouco
te sinto, sonhei contigo
fazendo-me rir.
Eu te imagino...
Como a onda que se desfaz
Como o vento que não volta
Como o tempo que não se repete
Como a ilusão que me ilumina
Eu te imagino...
És um sonho
Apenas um sonho impossível
Mas um sonho...
Que vou continuar a sonhar
Porque em sonhos
Eu te imagino...
Como o vento que não volta
Como o tempo que não se repete
Como a ilusão que me ilumina
Eu te imagino...
És um sonho
Apenas um sonho impossível
Mas um sonho...
Que vou continuar a sonhar
Porque em sonhos
Eu te imagino...
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Existe um amanhã
Não penses no tempo,
Não penses se as horas morrem no relógio
Nem perguntes porque as andorinhas partem na manhã fria de Outono
Não lamentes, não chores.
Não questiones se a folha fica em branco
Mesmo que o silêncio abrace as palavras,
E nada aconteça,
Nada alimente a cor do teu sorriso,
Vai…
Vai simplesmente pelo mesmo caminho,
E pelos sonhos que vestem a tua vida,
Mesmo que as lágrimas vistam a tua face,
Serão sempre lágrimas vivas de um novo renascer.
Luís Ferreira
Não penses se as horas morrem no relógio
Nem perguntes porque as andorinhas partem na manhã fria de Outono
Não lamentes, não chores.
Não questiones se a folha fica em branco
Mesmo que o silêncio abrace as palavras,
E nada aconteça,
Nada alimente a cor do teu sorriso,
Vai…
Vai simplesmente pelo mesmo caminho,
E pelos sonhos que vestem a tua vida,
Mesmo que as lágrimas vistam a tua face,
Serão sempre lágrimas vivas de um novo renascer.
Luís Ferreira
terça-feira, 2 de abril de 2013
Nem tudo é fácil
![]() |
| Imagem-Monolithic fragility Art, por Sergio Albiac |
É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas...
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o...
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga...
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar
alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça...
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida...Mas, com certeza, nada é impossível
Precisamos acreditar, ter fé e lutar
para que não apenas sonhemos, Mas também tornemos todos esses desejos,
realidade!!!
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas...
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o...
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga...
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar
alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça...
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida...Mas, com certeza, nada é impossível
Precisamos acreditar, ter fé e lutar
para que não apenas sonhemos, Mas também tornemos todos esses desejos,
realidade!!!
Cecília Meireles
sábado, 30 de março de 2013
quarta-feira, 27 de março de 2013
O mar dos meus olhos
![]() |
| Fotografia digital, por Jeffery Becton |
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes
e calma
Sophia de Mello Breyner Andresen, in Obra Poética
terça-feira, 19 de março de 2013
Cego de Prazeres
Pensei que sabia amar,
Ou até, o que era o amor...
Descobri que sou feito de matéria
Que não tenho palavras que cheguem
Nem versos capazes para o descrever.
Mas tenho estas mãos em febris impulsos
Buscando na escuridão
A luz do teu rosto.
Tenho as mãos deitadas sobre o olhar
Procurando imagens da tua criança
E os cobertores despidos da ignorância
Dos sentimentos.
Sempre soube que me repartiam as infâncias perdidas
Os silêncios por contar
As noites ao rubro onde me fui deitar...
Sou feito de sangue e carne e fluidos humanos
E tenho estas mãos que te abraçam num silêncio difuso,
Teu rosto de anjo ou o sonho que me intimidou
Cego dos prazeres do corpo.
Pensei que sabia o significado do teu olhar
Perturbado pela insignificância do meu eu.
Pensei que sabia amar...
O que era o amor...
Cego de prazeres.
quinta-feira, 7 de março de 2013
Balada de Outono para Zeca Afonso*
Uma noite um adeus sono vazio
águas das fontes choupos laranjais
as palavras levadas pelo rio
ó chorais não mais não mais.
Ó ribeiras calai-vos anjo negro
cavaleiros vampiros rosa fria.
As palavras caíam no Mondego
era Outono e só ele se despedia.
Partir para Marrocos ou Turquia
embarcar na falua de Istambul
dobrar o cabo da melancolia
partir partir partir mais para sul.
Ouve lá Zeca Afonso: e a cantoria?
- Preciso de partir para outro fado.
E havia em sua voz o que só havia
do outro lado.
Havia Bensafrim e a hospedaria
um redondo vocábulo e um sino.
As bruxas. Mafarricas. Alquimia
para mudar o canto e o destino.
Por isso aquela noite sem saber
era outra a canção que lhe nascia.
Havia em sua voz uma estátua a arder
e Grândola era o país que não havia.
O calor de mais cinco e da amizade.
S. Francisco de Assis: voz companheira
para levar aos pobres da cidade
uma canção à sombra da azinheira.
Manuel Alegre in "Coimbra nunca vista"
águas das fontes choupos laranjais
as palavras levadas pelo rio
ó chorais não mais não mais.
Ó ribeiras calai-vos anjo negro
cavaleiros vampiros rosa fria.
As palavras caíam no Mondego
era Outono e só ele se despedia.
Partir para Marrocos ou Turquia
embarcar na falua de Istambul
dobrar o cabo da melancolia
partir partir partir mais para sul.
Ouve lá Zeca Afonso: e a cantoria?
- Preciso de partir para outro fado.
E havia em sua voz o que só havia
do outro lado.
Havia Bensafrim e a hospedaria
um redondo vocábulo e um sino.
As bruxas. Mafarricas. Alquimia
para mudar o canto e o destino.
Por isso aquela noite sem saber
era outra a canção que lhe nascia.
Havia em sua voz uma estátua a arder
e Grândola era o país que não havia.
O calor de mais cinco e da amizade.
S. Francisco de Assis: voz companheira
para levar aos pobres da cidade
uma canção à sombra da azinheira.
Manuel Alegre in "Coimbra nunca vista"
*na composição deste poema entram palavras e imagens de Zeca Afonso
domingo, 3 de março de 2013
O nosso mundo
O Nosso Mundo
Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos
Como um divino vinho de Falerno!
Poisando em ti o meu olhar eterno
Como poisam as folhas sobre os lagos…
...
Os meus sonhos agora são mais vagos…
O teu olhar em mim, hoje, é mais terno…
E a Vida já não é o rubro inferno
Todo fantasmas tristes e pressagos!
A vida, meu Amor, quer vivê-la!
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas, hemos de bebê-la!
Que importa o mundo e as ilusões defuntas?…
Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?…
O mundo, Amor?… As nossas bocas juntas!…
Florbela Espanca
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Pensamento para a vida
Hoje não!
Amanhã eu fico triste...
Amanhã! Hoje não.
Hoje eu fico alegre.
E todos os dias por mais amargos que sejam eu digo:
- Amanhã eu fico triste.
Hoje não!
(Poema encontrado na parede de um dos dormitórios de crianças judias no campo de extermínio nazi de Auschwitz).
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Entrei no café
Entrei no café com um rio na algibeira
e pu-lo no chão,
a vê-lo correr
da imaginação...
A seguir tirei do bolso do colete
nuvens e estrelas
e estendi um tapete
de flores
a concebê-las.
Depois, encostado à mesa,
tirei da boca um pássaro a cantar
e enfeitei com ele a Natureza
das árvores em torno
a cheirarem ao luar
que eu imagino.
E agora aqui estou a ouvir
a melodia sem retorno
deste acaso de existir-
- onde só procuro a Beleza
para me iludir
dum destino.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Miguel Torga
Miguel Torga é pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha, escritor e médico, nascido em 1905 e falecido em 1995.
Estabeleceu-se em Coimbra, a minha cidade natal, no Largo da Portagem. Cheguei a pensar, muitas vezes, marcar uma consulta, para conhecer aquele escritor que tanto admirava... nunca aconteceu. Talvez me tivesse impedido uma timidez natural.
Enquanto esperava pelo autocarro que me levaria à Cruz de Celas, na Alta de Coimbra, costumava vê-lo. Sempre discreto, metido consigo mesmo como se estivesse longe da realidade que o circundava. Contudo, a sua vasta obra traduz a rebeldia e inconformismo perante as injustiças, as desigualdades sociais e os abusos de poder, o que prova a sua constante reflexão sobre o mundo, o Homem.
O poema seguinte, escrito em Coimbra a 18 de abril de 1961, é disso exemplo e continua muito atual.
Comunicado
Na frente ocidental nada de novo.
O povo
Continua a resistir
Sem ninguém que lhe valha,
Geme e trabalha
Até cair.
(Artigo escrito por mim para o Boletim Mensal do Centro de Recursos e Biblioteca da Escola Secundária Dr. Augusto César da Silva Ferreira).
domingo, 21 de outubro de 2012
Até já, poeta!
Faleceu Manuel António Pina, jornalista e escritor, galardoado com o o Prémio Camões em 2011. Portugal ficou culturalmente mais pobre.
De "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde", aqui fica o belíssimo poema "Amor como em Casa".
Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.
De "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde", aqui fica o belíssimo poema "Amor como em Casa".
Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.
domingo, 14 de outubro de 2012
A amizade é um amor sem asas
Rosa olhava o mar. As férias estavam a acabar e ela queria levar na memória aquele mar... calmo, às vezes, um gigantesco turbilhão, quase sempre, mas mágico... muito mágico.
Fechou os olhos para conter uma lágrima que sentia querer sair. Estes momentos de tristeza surgiam quando menos esperava, vindos do nada... ou talvez, do momento em que deixara Raul sozinho, sem uma palavra, sem um último beijo...
"Que bom este cheiro a mar", pensou, e ali ficou... Aos poucos foi deixando de ouvir os gritos das crianças a brincar, as conversas dos veraneantes e o som do bater dos calhaus enrolados nas ondas.
Raul sentou-se na areia junto dela, passou as mãos pelos caracóis do seu cabelo e disse-lhe "está tão comprido... estás linda Rosa... sabes, a amizade é um amor sem asas".
A água do mar gelada a tocar-lhe os pés fez com que abrisse os olhos. Olhou para o lado... estava sozinha. Levantou-se. Precisava de telefonar ao Raul!
Afinal não iria deixar que o amor a fizesse desistir de uma bela amizade.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Ele não gostava de despedidas
Rosa desceu as escadas a correr, já estava atrasada. Raul já devia estar à sua espera na esplanada do jardim e ele não gostava de atrasos. Enquanto percorria rapidamente a avenida aconchegou o casaco, um vento frio gelava-lhe o corpo. Não percebia, embora intuísse, a razão do encontro. Raul ligara-lhe apenas duas horas antes "vai ter comigo à esplanada, preciso de falar contigo".
Lá estava ele, numa mesa, num canto, abrigada do vento. Era lindo e, embora gostasse mais de o ver com roupa casual, o fato que trazia vestido ficava-lhe muito bem. Levantou-se quando ela chegou e deu-lhe um beijo em cada uma das faces. Rosa sentiu um arrepio percorrer-lhe o corpo...
Sentaram-se, ele perguntou-lhe como estava, falou dos filhos, dos netos... Rosa olhava-o, os seus lábios finos, os olhos castanhos e o seu sorriso fascinavam-na. Deixou de o ouvir, recordava os momentos que tinham passado juntos, momentos de descoberta mútua e em que ela descobrira o quanto gostava dele e como ele era importante para ela. Sentiu a mão dele na dela, "Rosa, como te disse preciso de falar contigo, não te zangues nem fiques triste, as coisas mudam como tu sabes". Ela sorriu. "Vou à casa de banho, volto já Raul".
Rosa entrou no café pela porta que ficava junto à mesa onde estavam. Pela janela olhou-o... um último olhar. Limpando uma lágrima que teimava em cair saiu pela outra porta.
Afinal ele não gostava de despedidas.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Apenas as lembranças
Podes levar tudo menos as lembranças,
peço-te, eu que não sou um poeta do amor,
eu que sempre fui pudico ao nomear os sentimentos.
Há coisas que nunca podem chegar a ser ditas,
ainda que sejam sentidas até ao desespero das lágrimas.
Essas pertencem ao coração e não à escrita,
e não há álcool nem lume que as apague,
que as consuma, que as devore. São as coisa abissais
e absolutas que não se resolvem como teoremas
ou equações de entreter a quadrícula das páginas.
Se quiseres, eu apago a luz para não me veres chorar,
eu que há muito esqueci como se chora,
eu que sequei todas as lágrimas nos gélidos mistérios
da aflição das noites, nos simulacros.
Poupa as lembranças como se poupasses
os corais ou as anémonas na última viagem
até ao casulo da profundeza do mar.
Poupa-me, poupando o resto de mim
no pouco que sobra de nós. Não insistas.
As cegonhas vão e voltam, os corvos salpicam
de tinta nocturna o ilusório sossego das tardes.
Nenhuma porta se fechará à tua passagem,
porque eu já não sei amar, porque eu desisti
de me deixar amar. Que fiquem apenas as lembranças,
oferendas prometidas à felicidade que se esquiva.
in Produto Interno Lírico, José Jorge Letria
domingo, 4 de março de 2012
Pai
Pai. A tarde dissolve-se sobre a terra, sobre a nossa casa. O céu desfia um sopro quieto nos rostos. Acende-se a lua. Translúcida, adormece um sono cálido nos olhares. Anoitece devagar.
Dizia nunca esquecerei e lembro-me.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Balada da Neve
Aprendi-a na escola primária...pensei tê-la esquecido... mas, o que é belo não morre nunca!
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