Rosa desceu as escadas a correr, já estava atrasada. Raul já devia estar à sua espera na esplanada do jardim e ele não gostava de atrasos. Enquanto percorria rapidamente a avenida aconchegou o casaco, um vento frio gelava-lhe o corpo. Não percebia, embora intuísse, a razão do encontro. Raul ligara-lhe apenas duas horas antes "vai ter comigo à esplanada, preciso de falar contigo".
Lá estava ele, numa mesa, num canto, abrigada do vento. Era lindo e, embora gostasse mais de o ver com roupa casual, o fato que trazia vestido ficava-lhe muito bem. Levantou-se quando ela chegou e deu-lhe um beijo em cada uma das faces. Rosa sentiu um arrepio percorrer-lhe o corpo...
Sentaram-se, ele perguntou-lhe como estava, falou dos filhos, dos netos... Rosa olhava-o, os seus lábios finos, os olhos castanhos e o seu sorriso fascinavam-na. Deixou de o ouvir, recordava os momentos que tinham passado juntos, momentos de descoberta mútua e em que ela descobrira o quanto gostava dele e como ele era importante para ela. Sentiu a mão dele na dela, "Rosa, como te disse preciso de falar contigo, não te zangues nem fiques triste, as coisas mudam como tu sabes". Ela sorriu. "Vou à casa de banho, volto já Raul".
Rosa entrou no café pela porta que ficava junto à mesa onde estavam. Pela janela olhou-o... um último olhar. Limpando uma lágrima que teimava em cair saiu pela outra porta.
Afinal ele não gostava de despedidas.

2 comentários:
O Raul é como eu ... não gosto nem tenho jeito para despedidas.
Boa prosa.Parabéns
Obrigada João! As despedidas custam sempre, para quem vai e para quem fica...mas as despedidas daqueles de quem gostamos nunca serão definitivas, numa qualquer curva da vida o reencontro é inevitável. Beijinhos
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