Limpei o vidro embaciado da janela do autocarro. Chovia. A chuva tinha começado pouco depois de termos saído de Coimbra, uns chuviscos que depressa se transformaram em fortes bátegas de água.
O autocarro avançava devagar...as duas horas e pouco de viagem iriam transformar-se em três, quando chegasse a Seia já passaria da meia-noite e não tinha guarda-chuva.
Um clarão enorme, seguido do ribombar de um trovão fez calar as conversas dos passageiros, o medo estava estampado na cara de alguns deles. O motorista conduzia devagar, mas com a segurança de quem conhece bem a estrada.
Era uma da manhã quando finalmente chegámos. Até casa seriam dez minutos, iria apanhar uma molha mas, não podia ficar ali, na beira da estrada.
Apertei o casaco e fui andando. A chuva batia-me na cara. Quando cheguei à minha rua já ia completamente encharcada. Parei um pouco debaixo de uma árvore, já faltava pouco, mais cem metros e estaria livre da chuva e da trovoada.
Abri a porta de casa...a salvo finalmente! Tirei a roupa molhada e pus a banheira a encher...precisava de um banho quente. Um clarão muito intenso e um forte trovão fez-me correr para a janela. A árvore, onde minutos antes tinha parado um pouco, tinha sido atingida por um raio.
Foi a tremer que me enfiei na banheira.

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