Páginas

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Cedências

Costuma-se dizer que para uma relação funcionar, tem que haver cedências de parte a parte. Tu cedes aqui, eu ali, e só assim nos daremos bem e seremos felizes para sempre. Sim, pode ser que sim. Cedências, não mudanças.
Lembro-me que na série "Sex and the City", no início do casamento entre a Charlotte e o Harry, ele deixava os sacos de chá por todo o lado, e isso irritava-a. Ela conversou com ele, e ele rapidamente passou a colocar os sacos no lixo. Quando este problema se resolve, outro aparece. O Harry gosta de andar todo nu pela casa. De se sentar como veio ao mundo nos sofás brancos e imaculados da casa de ambos. A Charlotte, mais uma vez fala com o marido, que acede imediatamente a vestir pelo menos uns boxers quando andar por casa. Em contrapartida, a Charlotte tornou-se judia para poder casar com o Harry. Cedências foram feitas e eles são um daqueles casais, mesmo que ficcionais, realmente felizes.
Estas pequenas coisas, são fáceis de contornar. São hábitos que se conseguem mudar perfeitamente pela nossa cara metade. É quando toca a mudanças de personalidade, de feitio, que a coisa se complica.
O mais importante não são as cedências, porque essas, não serão difíceis de fazer. O que é decisivo é se conseguimos conviver e ser felizes com todos os defeitos do outro. Esse é o desafio. Se o conseguimos fazer e se vale a pena fazê-lo.
Há uma música da Nelly Furtado, "Try", com duas frases que sempre me vêm à cabeça nestas questões.
"Then I see you standing there, Wanting more from me, And all I can do, Is try". Será que é justo estarmos constantemente a pedir mais do outro? Ameaçar até acabar com a relação se o outro não mudar? Temos que amar o outro pela pessoa que ele é, e não pelo seu potencial.
"I'm all I ever be". Diz também a música. Ou seja, ou aceitamos a pessoa como ela é, ou libertamo-la para uma outra qualquer pessoa amar os defeitos que nós não conseguimos suportar. Porque, por vezes, o amor não é suficiente.
Cris



1 comentário:

Eva Sanfiro disse...

E por vezes aturamos o "inaturável" e por muito fulos, danados, tristes, irritados, furiosos que fiquemos passado umas horas ou um dia ou dois percebemos que os bons momentos, uma piada conjunta, um olhar cúmplice tudo apagam.