Não é fácil recomeçar. O correcto é passarmos tempo sozinhos, curar as feridas e aprender a ser feliz sozinho. Quando a cura acontece e essa aprendizagem está completa, sentimo-nos tão leves, tão bem, que nos habituamos a esse estado de paz de espírito, sem preocupações na cabeça, sem apertos no coração. Tudo fica limpo, livre, feliz. E vazio.
Habituamo-nos tanto a estar sozinhos, a fazer o que nos apetece, a não dar explicações a ninguém, a não ter obrigacões com alguém, que depois, quando está na hora de começar outra vez, é difícil. É difícil voltar a dar o nosso espaço a outra pessoa. É difícil conhecer alguém que valha a pena, porque agora queremos mais e melhor, e quando esse milagre acontece, é preciso disposição, vontade e coragem também para recomeçar tudo do zero. A intimidade, a confiança, o à-vontade. Voltar a dar o coração a alguém dá trabalho. Porque a paz acaba, recomeça a inquietude, mas voltam as borboletas. E o vazio é preenchido. É este vazio que tem que valer a pena ser preenchido. Com cuidado. Porque quantas desiluções consegue uma pessoa suportar até desistir por completo e começar aceitar menos e pior, ou não aceitar absolutamente nada?
Sempre acreditei que era impossível alguém não ter ninguém no coração. Agora sei que é possível. E sei que às vezes o coração pode estar vazio e ainda assim indisponível.
Cris

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