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terça-feira, 16 de julho de 2013

O amor

Às vezes acho que amor é uma treta. Uma treta que se inventou porque é suposto que te cases e formes família, para o mundo continuar povoado. E porque pronto, envelhecer sozinho não deve ser agradável e giro.

Eu até acredito no amor. Entre pais e filhos. Entre avós e netos. Entre irmãos. Entre primos. Entre tios e sobrinhos. Entre amigos. É neste tipo de amor em que acredito. Em que tudo se compreende, tudo se perdoa, em que todos os defeitos e falhas se toleram.

No que toca a duas pessoas independentes, do sexo oposto ou não, sem qualquer tipo de relação das acima referidas, outras coisas que nada têm a ver com amor é que fazem a relação acontecer. Chamam-lhes feromonas, química, atração. Eu gosto da palavra paixão para definir isso. Vai haver ocasiões em que nos vamos apaixonar, viver essa paixão e quando ela acaba, cada um vai à sua vida. Outras vezes, a paixão dura e o amor chega. Estas vão ser as relações longas das nossas vidas. Quando o amor e a paixão se unem, agarrem-se a essa raridade com unhas e dentes, porque não é coisa que aconteça em todas as esquinas.

O problema é quando a paixão termina. Claro que toda a gente diz que o amor vem depois da paixão. Para mim o amor, sem mais nada é...pouco! E quando decidimos manter uma relação sem paixão, baseada no tão falado amor, isso para mim tem uma definição: medo de estarmos sozinhos. Uma relação tem que ter paixão. Eu tenho que estar apaixonada pela pessoa pelo menos 80% do tempo da relação. Amor e paixão têm que andar juntos…pelo menos na maioria dos dias. Tenho consciência de que existem dias em que estamos mais ou então menos – ou mesmo nada, um dia ou outro – apaixonados. Mas se essa paixão, química, atração, se esgota completamente, para mim a relação também esgota.

Muita gente acha que isso é natural, que a paixão acaba e fica apenas o amor, que é aquilo que une duas pessoas durante 20, 30, 40 anos, mesmo quando o sexo só existe uma vez por mês (a correr bem!), quando passam um jantar inteiro a conversar sobre coisíssima nenhuma. Quando já não se divertem, quando não riem um com o outro e um do outro também. E é por isso que existem traições. Quando os casais estão acomodados e não apaixonados.
Inventaram que o amor é o que vem a seguir e nós acreditamos. Quando duas pessoas já não estão apaixonadas e continuam juntas, fazem-no por uma razão: não querem ou não podem estar sozinhos. Não sabem estar sozinhos. São ainda mais infelizes sozinhos do que numa relação que já não trás nada de novo a nenhum deles.

A solidão é uma coisa insuportável para pessoas dependentes do outro. E é verdade, a solidão assusta. Mas não assusta estarmos com alguém só porque temos medo de ficarmos sozinhos? Não assusta contentarmo-nos com relações desenxabidas que não acrescentam mais nada à nossa vida a não ser os pés quentes à noite? Compra uma botija! Acredito que isso traga estabilidade e segurança. Mas trás felicidade e satisfação?

Eu acredito no amor. Só não acredito num amor sem paixão à mistura. Só não acredito nele sozinho. Não acredito que a paixão tenha que acabar para dar lugar ao amor.

Por tudo isto é que o grande segredo para sermos felizes é estarmos bem e divertirmo-nos com nós próprios. Não depender de ninguém para sermos felizes. A felicidade, a tranquilidade está dentro de nós e procurar isso através dos outros é o maior erro que se pode cometer. Como diz a canção do Sr. Matogrosso, “Não peça muito a ninguém, ninguém tem muito para dar”. Aprender a ser feliz sozinho é a melhor coisa que se pode aprender.




2 comentários:

JOAO RUI PIMENTEL disse...

É por isso que eu ando sempre comigo... estou apaixonado por mim, amo-me muito e sou uma óptima companhia de mim mesmo ...
Quando um dia deixar de gostar de mim não sei como resolver a separação entre nós dois mas... logo se vê... um problema de cada vez.

Cristina Cunha Gil disse...

Que problemão, né? Beijinhos