Às vezes acho que amor é uma treta. Uma treta que se inventou
porque é suposto que te cases e formes família, para o mundo continuar povoado.
E porque pronto, envelhecer sozinho não deve ser agradável e giro.
Eu até acredito no amor. Entre pais e filhos. Entre avós e netos.
Entre irmãos. Entre primos. Entre tios e sobrinhos. Entre amigos. É neste tipo
de amor em que acredito. Em que tudo se compreende, tudo se perdoa, em que
todos os defeitos e falhas se toleram.
No que toca a duas pessoas independentes, do sexo oposto ou não,
sem qualquer tipo de relação das acima referidas, outras coisas que nada têm a
ver com amor é que fazem a relação acontecer. Chamam-lhes feromonas, química,
atração. Eu gosto da palavra paixão para definir isso. Vai haver ocasiões em que nos vamos apaixonar, viver essa paixão e
quando ela acaba, cada um vai à sua vida. Outras vezes, a paixão dura e o
amor chega. Estas vão ser as relações longas das nossas vidas. Quando o amor e
a paixão se unem, agarrem-se a essa raridade com unhas e dentes, porque não é
coisa que aconteça em todas as esquinas.
O problema é quando a paixão termina. Claro que toda a gente diz
que o amor vem depois da paixão. Para mim o amor, sem mais nada é...pouco! E
quando decidimos manter uma relação sem paixão, baseada no tão falado amor,
isso para mim tem uma definição: medo de estarmos sozinhos. Uma relação tem que
ter paixão. Eu tenho que estar apaixonada pela pessoa pelo menos 80% do tempo
da relação. Amor e paixão têm que andar juntos…pelo menos na maioria dos dias.
Tenho consciência de que existem dias em que estamos mais ou então menos – ou
mesmo nada, um dia ou outro – apaixonados. Mas se essa paixão, química, atração,
se esgota completamente, para mim a relação também esgota.
Muita gente acha que isso é natural, que a paixão acaba e fica
apenas o amor, que é aquilo que une duas pessoas durante 20, 30, 40 anos, mesmo
quando o sexo só existe uma vez por mês (a correr bem!), quando passam um jantar
inteiro a conversar sobre coisíssima nenhuma. Quando já não se divertem, quando
não riem um com o outro e um do outro também. E é por isso que existem
traições. Quando os casais estão acomodados e não apaixonados.
Inventaram que o amor é o que vem a seguir e nós acreditamos.
Quando duas pessoas já não estão apaixonadas e continuam juntas, fazem-no por
uma razão: não querem ou não podem estar sozinhos. Não sabem estar sozinhos.
São ainda mais infelizes sozinhos do que numa relação que já não trás nada de
novo a nenhum deles.
A solidão é uma coisa insuportável para pessoas dependentes do
outro. E é verdade, a solidão assusta. Mas não assusta estarmos com alguém só
porque temos medo de ficarmos sozinhos? Não assusta contentarmo-nos com
relações desenxabidas que não acrescentam mais nada à nossa vida a não ser os
pés quentes à noite? Compra uma botija! Acredito que isso traga estabilidade e
segurança. Mas trás felicidade e satisfação?
Eu acredito no amor. Só não acredito num amor sem paixão à
mistura. Só não acredito nele sozinho. Não acredito que a paixão tenha que
acabar para dar lugar ao amor.
Por tudo isto é que o grande segredo para sermos felizes é
estarmos bem e divertirmo-nos com nós próprios. Não depender de ninguém para
sermos felizes. A felicidade, a tranquilidade está dentro de nós e procurar
isso através dos outros é o maior erro que se pode cometer. Como diz a canção
do Sr. Matogrosso, “Não
peça muito a ninguém, ninguém tem muito para dar”. Aprender a ser
feliz sozinho é a melhor coisa que se pode aprender.
2 comentários:
É por isso que eu ando sempre comigo... estou apaixonado por mim, amo-me muito e sou uma óptima companhia de mim mesmo ...
Quando um dia deixar de gostar de mim não sei como resolver a separação entre nós dois mas... logo se vê... um problema de cada vez.
Que problemão, né? Beijinhos
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